Notas sobre o fascismo tropical.

 

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Autor: Planètes

Data: 2019

A. Crise e precaridade

“É surpreendente que a anestesiologia – essa velha ciência do entorpecimento – não tenha estabelecido nenhuma contrapartida. O Vitalismo, por sua vez, apresenta-se como uma anarcoestetiologia.” – Manifesto da Internacional Vitalista

Quanto mais os corpos são guiados por interesses privados e privatistas, mais são determinados por instintos de massa. Essa crise – que o Comitê Invisível vê como constituinte fundamental dos governos – faz com que os corpos se prendam a uma espécie de coletivismo regressivo, de pensamento de capitalismo maquínico, em que não importa se reais ou virtuais, todos agem como autômatos. Esses instintos de massa são profundamente alienados da vida cotidiana, fazendo com que os indivíduos tornem-se insensíveis aos sinais de um desastre à caminho. Nunca esteve tão claro nas palavras e atos de um político a intenção de destruir completamente qualquer possibilidade de Vida – dos incêndios na Amazônia aos ataques ao conhecimento, da criminalização do pensamento ao racismo, à homofobia, e ao enorme sexismo. Nunca uma população esteve tão entorpecida, a ponto de confiscar-se seu intelecto e repetir “Mito! Mito!”, como se suas formas-de-vida estivessem a serviço não da potência, mas da impotência.

Nesse componente de crise, a vida cotidiana é lançada ao vácuo pela “clareza penetrante” que a crise lhes impõe. A centralidade do dinheiro interrompe os relacionamentos, minando a confiança, a calma e a saúde. A sobrevivência se impõe, e é corrosiva de convívio. Da mesma forma, o “calor está diminuindo” dos objetos do cotidiano, que repelem suavemente o apego e colocam barreiras contra as pessoas. Os objetos parecem símbolos de riqueza ou pobreza, e nada mais. Os movimentos humanos são impedidos de devir por um mundo intratável que oferece resistência ao seu desenvolvimento. Os custos da moradia e do transporte destróem a sensação de liberdade de domicílio. Os trabalhadores tornam-se grosseiros e hostis, como representantes de materiais que se tornaram hostis.

As reações pessoais a essa situação têm um efeito competitivo e atomizador. Cada um vê a crise geral, mas busca exceções para seu próprio campo de ação. Portanto, há uma luta constante para salvar o prestígio de áreas específicas do colapso geral, em vez de rejeitar a situação universal. À medida que cada um tenta conciliar a sobrevivência com o colapso geral, as pessoas ficam presas em ilusões de perspectiva decorrentes de pontos de vista isolados. Se o fascismo é uma racionalização de emergência da sociedade capitalista ameaçada pela crise econômica e pela subversão proletária, tal racionalidade “vem onerada pela imensa irracionalidade de seu meio” (Debord, A Sociedade do Espetáculo)

É sintomático que o discurso atual seja de crise internacional, da imagem do Brasil no exterior em função da reação às queimadas na Amazônia. Para aqueles que não estão afundados nesse imbroglio, o temperamento dos bolsonaristas – e, por extensão, de toda a nação – parece ter se tornado bárbaro e virulento de uma maneira incompreensível. Evoca-se o filósofo alemão Walter Benjamin – que morreu em 1940 tentando escapar dos nazistas -, para quem essa aparência – que é absolutamente invisível para todos os que estão envolvidos no processo – ocorre porque as pessoas estão totalmente subordinadas a “circunstâncias, miséria e estupidez”, a forças coletivas. As pessoas desenvolvem um “ódio frenético pela vida da mente”. Eles o aniquilam formando fileiras, contando corpos e avançando.

O componente da crise mobiliza afetos tristes, e o poder precisa de pessoas tristes para dominar, o ódio precisa de pessoas tristes para florescer. Os afetos tristes diminuem a potência, mesmo quando os fascistas acreditam estar empoderados. Ao apontar o arrependimento daqueles que não se alinhavam diretamente ao neofascismo, mas elegeram Bolsonaro em uma desesperada rejeição da política representativa, diminuímos, e não aumentamos, a potência de resistência.

B. Da fractalidade do neofascismo

O anarquista italiano Errico Malatesta, ao analisar os motivos da ascensão do fascismo italiano, identifica não somente aquelas questões clássicas repetidas por historiadores em todos os lugares (a crise econômica, a efervescência dos diversos socialismos), mas também uma espécie de “microfascismo”. Esse microfascismo pode ser entendido como a ética dos “homens de bem”, os ódios cotidianos e mecanismos de separação que permitem que o fascismo se institucionalize.

Em comum com o fascismo italiano, também o neofascismo bolsonarista se sustenta em cima de um microfascismo da vida cotidiana. Diferente do fascismo de Mussolini e Hitler, entretanto, o neofascismo se sustentou pela via das eleições:

“Esse perverso caminho, da democracia ao fascismo, linear, organizado não por movimentos externos, mas pelas mesmas instituições do poder constitucional, pela conformação dos órgãos de controle (da magistratura em particular) às linhas da extrema direita, é o desvelamento de um projeto coerente que atravessa as instituições, destruindo todos os elos e incidindo, sobre novas conformações, nas figuras formais da Constituição e na materialidade de sua direção política garantida pelo processo de legitimidade eleitoral, e assim dissipando qualquer caráter ético do princípio democrático: tudo isso impõe, quando e se a indignação diminuir, uma reflexão sobre o tema da democracia.” (Antonio Negri, “Primeiras observações sobre o fascismo“).

Antonio Negri identifica nas próprias contradições do capitalismo o elemento que permite que essa operação tome lugar: “Quando, todavia, intervêm fortes tensões que agem sobre as singularidades (que compõe a multidão), em termos, por exemplo, de insegurança econômica ou ambiental e de medo do futuro, então a cooperação multitudinária pode implodir em termos de defesa da identidade”.

O que caracteriza essa implosão é a fractalidade com que o neofascismo se estabelece. Um fractal tem o mesmo aspecto em várias escalas diferentes – pode-se tirar um pequeno extrato da forma e tem-se o mesmo aspecto que toda a forma. Também o neofascismo bolsonarista apresenta essa fractalidade: pode-se extrair as relações da vida cotidiana que o sustentam e observar a mesma misoginia, racismo, homofobia, masculinidade tóxica, e ultra-individualismo hiperliberal que se observa nas instituições.

Como a produção desejante no capitalismo é marcada pela impotência, o desejo já nasce desejando poderes como garantias para a vida. Desde crianças vamos sendo ensinados a flertar com o poder como elemento garantidor da vida, e assim as relações costumam se “valer” pela posição que cada um ocupa dentro de um campo social. No lugar da potência criadora, uma estimulação à conservação através de poderes. Diferente da potência que precisa ser exercida em ato, sempre em situação, o poder, de antemão, equipa o sujeito com certos atributos que falam por ele. Por trás de todo poderoso há um corpo impotente incapaz de exercer uma ética da criação junto aos seus, daí que precisa que poderes discursem por ele, para conservar-se. De fato, nos parece que o que caracteriza o bolsonarismo como neofascista não é tanto a institucionalização de valores típicos do Ur-fascismo – como o populismo seletivo, a rejeição dos valores modernos, e o culto da “ação pela ação” –, mas essa micropolítica que permitiu que o fascismo subisse ao poder pela via do voto, esse fascismo fractal dos “homens de bem” que reproduzem as práticas sociais do poder fascista. Essa micropolítica que permeia nossas relações sociais na forma de violência, e que foi se instalando de forma imperceptível, navegando nas águas do sentimento comum, da moral e dos bons costumes, com baixa intensidade até escorrer como sedimento e abonar um pensamento passado a ato. Os bolsonaristas e sua libidinização da violência são só uma face desse fascismo, que inclui o conservadorismo das famílias e dos homofóbicos, as igrejas e seus conceitos de pecado e moral reduzidos à sexualidade dominante, os meios de comunicação e sua forma de tratar a diferença como exotismo – enfim, a cultura em todas as suas instituições hegemônicas.

Essa identificação, essa auto-similaridade, fazem com que as táticas tradicionais do antifascismo de ação direta sejam de difícil implementação.

C. Terrorismo estocástico e hordas virtuais e reais

Nesse momento, o neofascismo ainda está em sua primeira fase, que envolve um acirramento do microfascismo. O que observamos não é ainda a total institucionalização do ódio, mas ações do Baixo Clero e de apoiadores civis: parlamento funcionando, mas com violências dispersas, perseguições, delações, achincalhamento virtual, invasão de espaços culturais e universitários, agressões físicas, repressão a manifestações públicas, e assassinatos de pobres na periferia. “Terrorismo estocástico” é o uso de meios de comunicação em massa para demonizar grupos ou indivíduos, resultando na incitação de atos violentos de maneira estatisticamente previsível, mas individualmente imprevisível. A ideia é que seria possível a um agente mal-intencionado usar a Internet e outros meios de comunicação em massa para incitar perpetradores aleatórios, desconhecidos do agente, a cometer atos de violência. Como a relação de causa-e-efeito não é certa, diz-se que há previsibilidade estatística de que o ato de terrorismo irá ocorrer, mas é impossível prever individualmente quem será o perpetrador ou quando o ato irá ocorrer. O incitador pode então limpar as mãos.

Mas aí que está: o terrorismo estocástico não é possível se não há um receptor que possa entender a mensagem como um gatilho para a violência. É no caldo grosso das instituições do imaginário que o terrorismo estocástico é possível. É um pântano fértil de ressentimentos que permitirá, de maneira quase imperceptível, a institucionalização final do fascismo que Bolsonaro quer.

D. O espetáculo do bolsonarismo

Fiat ars, pereat mundus: essa é a palavra de comando do fascismo que, como reconhece Marinetti, espera da guerra a satisfação artística de uma percepção sensorial alterada pela tecnologia. É obviamente a realização perfeita da arte pela arte. Durante a época de Homero, a humanidade fez de si um espetáculo para os deuses do Olimpo; agora, fez de si um espetáculo para si mesma. Alienou-se de si mesma o suficiente para ter sucesso em viver sua própria destruição como alguma fruição estética de primeira ordem.” Walter Benjamin, “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica

O bolsonarismo, como o fascismo, responde à proletarização e à “inclusão pelo consumo” dando “uma chance de expressão” como substituto do poder, mantendo intacta, dessa maneira, a estrutura da propriedade e do Estado. A consequência lógica desse movimento é a estetização da política. Walter Benjamin já havia identificado essa característica no fascismo europeu do começo do século XX, e a relaciona ao caráter espetacular da mercadoria, que é transformada de simples objeto a espetáculo ou fantasmagoria. O fascismo expande a lógica do espetáculo ao campo da política, com seu populismo, seu apelo à estética da violência, seus discursos maniqueístas e simplistas, seus memes e slogans vazios, suas demonstrações de guerra. A única forma de canalizar os intensos afetos da multidão sem alterar a estrutura da propriedade, entretanto, é por uma intensa violência que guie as frustrações de uma maneira que não desestabilize o sistema.

A estetização da política sob a forma de violência retorna no discurso de securitização que imputa aos soldados e policiais o status de heróis. Também se revela na forma, se não no conteúdo, das fake news que circulam nos grupos de WhatsApp: essas histórias parecem ser menos selecionadas por seu valor de verdade (são, de fato, “pequenas verdades“) ou pela relevância para a vida dos leitores, mas pela capacidade de produzir afetos tristes e canalizar sua expressão. As fake news são uma força estética de indignação moral. Eles proporcionam prazer indireto da repressão decorrente do pânico moral que instigam, mantendo também insatisfação suficiente para impedir qualquer sensação de conclusão.

“A difusão das pequenas verdades é essencial nessa empreitada, elas garantem a ampliação do medo e da incerteza, da consolidação da ideia de que a miséria ou o declínio que as pessoas experimentam seria causada pelas nefastas ideologias pregadas pelos “esquerdistas” e suas consequências.” (Carapanã, “As pequenas verdade e a Nova Direita“)

Essa ação expressiva do bolsonarismo, no entanto, é também sua fraqueza, dado que está deslocada da economia da vida cotidiana. A estética do bolsonarismo oferece algumas das mesmas coisas que se perderam na intensa alienação da vida cotidiana: pertencimento coletivo, acesso a intensidades emocionais, a rituais e atividades públicas, confrontos ritualizados. Mas esses meios estão ligados a categorias que reproduzem o sistema dominante: estereótipos de grupos externos (cada vez mais “esquerdistas” e intelectuais, cada vez menos estereótipos raciais), reforço de hierarquias pró-sistema, reprodução de repressão emocional.

A diferença crucial é que tanto o fascismo clássico quanto o bolsonarismo dependem do poder sobre os outros como meio de expressão. Com isso, permitem que os seus seguidores expressem sua superioridade em relação aos “inimigos” por meio de performance constante e altamente visível. Às vezes, a performance é direta, como no caso de slogans e gestos. Às vezes é indireta, como no olavismo que influencia a política do governo. De qualquer maneira, o fascismo é um tipo de “conversor de energia”: permite que o status social seja transformado em afeto. Assim, fornece a base para uma política de patronagem negativa – onde, em vez de receber benefícios materiais, os apoiadores simplesmente recebem status. Portanto, embora produza poder em rede (contraposto às hierarquias de Estado), também reproduz o poder alienado.

E. Redes sociais e capturas

O espetáculo bolsonarista, como o nazismo e o fascismo de Mussolini, é baseado na propaganda, entendida como expressão da verdade absoluta do movimento. Para que essa propaganda possa se converter diretamente em violência das massas, é preciso fazer com que a ação de um Estado autoritário pareça uma atividade espontânea das massas. No hitlerismo, essa transformação aconteceu pela edificação de um formidável aparato midiático. A ascensão de Trump, Bolsonaro, e outros neofascistas recoloca em questão a íntima relação entre fascismo e a propaganda. Tanto Trump quanto Bolsonaro desprezam a mídia tradicional – exceto, claro, em suas manifestações mais partisan e extremas, caso de Fox News, nos EUA, e da Record e do SBT, no Brasil. Preferem a infraestrutura da propaganda em rede, resultante de um esforço distribuído e capilarizado, contando com um misto coordenado de esforço contratado com outro voluntário e que aparenta ser espontâneo. Multiplicam-se não somente os “robôs”, mas principalmente em “ciborgues” – indivíduos reais que operam como engrenagens em uma complexa máquina de propaganda.

De fato, o bolsonarismo cresceu não através de anúncios “microdirecionados”, a tática típica do trumpismo, mas pelo WhatsApp. Sendo um aplicativo de mensagens criptografadas, o WhatsApp não oferece espaço para publicidade nem para direcionamento das mensagens a grupos de pessoas específicos – a mensagem realmente só se dissemina se alguém passar para frente ou se alguém furar o bloqueio de spams da empresa e disparar mensagens em massa. Ainda, a viralização dessas mensagens e sua conversão em voto dependeu de muitos “carteiros voluntários” em todo país, uma massa de repassadores de conteúdo que faz com que a mensagem chegue até “a última milha” (ou seja, até os grupos de família, amigos e no fluxo de mensagens entre indivíduos) e ali seja defendida.

Se a “produção de conteúdo” bolsonarista parece se focar nessa rede, nas outras redes milícias digitais de robôs e ciborgues oferecem uma noção falsa de apoio completo e irrestrito da população às ideias e performances dos políticos bolsonaristas. O neofascismo fractal bolsonarista se tornou um “governo pelo Twitter”, onde a capilaridade da rede permitiu que postagens de políticos alcançassem diretamente essas milícias digitais, sendo amplificadas ao infinito. Também essas milícias alcançam rapidamente – e em massa – postagens de esquerdistas, produzindo desde enorme ruído que cessa o discurso até ameaças de morte e violência – uma tempestade chilreante, uma Twitterstorm. De qualquer maneira, a impressão que se produz àqueles que vivem na bolha é a de uma onipresença sufocante.

Em seu quadro “Die Zwitscher-Maschine” (“A Máquina Chilreante”), o chilrear (tuitar) infernal de uma máquina diabólica age como isca para atrair a humanidade a um poço de condenação. O jornalista Richard Seymour usou a metáfora da máquina chilreante/tuitante para falar sobre as redes sociais e seu potencial fascistizante:

“Há algo sobre a maneira como interagimos nas plataformas que, seja o que for que faça, amplia nossa capacidade de multidão, nossa demanda por conformidade, nosso sadismo, nossa preocupação irritadiça de estar certo em todos os assuntos.”

Se o Espetáculo é uma relação social mediada por imagens, o Espetáculo concentrado do culto de celebridades típico do fascismo dá espaço, na indústria das redes sociais, ao espetáculo difuso das imagens de mercadoria. Assim, o Espetáculo das redes sociais fascistizantes retira a concentração somente na figura do líder, e passa a multiplicar novos fascismos à volta de micro-celebridades, de mini-patriarcas, e no fluxo de mensagens homogêneas e homogenizantes. Onde o fascismo clássico direcionou o investimento do desejo na imagem do líder, o neofascismo fractal colhe a acumulação algorítmica do desejo na forma de identificação-por-Twitterstorm.

F. Uma conclusão

As características do neofascismo bolsonarista fazem com que algumas das táticas clássicas do antifascismo de ação direta sejam úteis para algumas situações – principalmente para retirar a plataforma de expressão de grupos abertamente racistas -, mas não o sejam em outros contextos. Nos parece claro que, contra grupos institucionais ou pára-institucionais, as ações de inteligência e documentação, oposição e contra-manifestação, apoio mútuo, e não-cooperação, são ainda fundamentais para bloquear o avanço de grupos, mas não serão úteis para combater as ideias proto-fascistas que sustentam o discurso na mesa de jantar.

Como é possível, então, combater o neofascismo bolsonarista? É preciso nos apropriarmos daquela máxima do filósofo francês Michel Foucault:

“Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária”.

O medo é natural, principalmente no Brasil Profundo, onde há muito se faz política na base da bala, e para aqueles que já são alvos da violência microfascista há tempos pela afirmação de identidades sexuais dissidentes. Não é à toa que o primeiro reflexo de resistência, ainda antes da vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, foi o movimento puxado pelas mulheres. Mas é importante evitar o segundo estágio, o pânico, que imobiliza ou gera ações irracionais, e só agrava o problema da segurança. Claro, é preciso reconhecer que há, de fato, uma ameaça à própria existência. Para combater essa ameaça é preciso, antes de tudo, existir: ou, como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, sobre as populações indígenas, “rexistir”, fazer da própria existência uma resistência. É preciso também saber separar o que há de fato de ameaça, e o que há de amplificação pelo pânico:

“Medo é o assassino da mente. Medo é a pequena morte que traz obliteração total. Eu enfrentarei o meu medo. Permitirei que ele passe sobre mim e através de mim. E quando tiver passado, eu vou virar o olho interno para ver seu caminho. Onde o medo desapareceu, não haverá nada. Só eu permanecerei.” -Frank Herbert, “Duna”.

Grupos Autônomos Estão Mobilizando Iniciativas De Auxílio Mútuo Para Combater O Coronavírus.

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Autor: It’s Going Down.

Data: 2020

 

No espaço de apenas algumas semanas, o coronavírus mudou completamente a vida como a conhecemos, ao mesmo tempo em que expôs a vasta gama de contradições firmemente enraizadas na sociedade capitalista. Os Estados Unidos foram expostos ao que sempre foi, um projeto colonial de colonos que é propriedade exclusiva daqueles que os possuem, como John Jay , uma vez argumentou. Diante desse desastre, Trump previsivelmente dobrou a pintura da pandemia com um pincel xenofóbico, enquanto seus apoiadores a usam como mais uma desculpa para empurrar as teorias conspiracionistas para defender o fogo da lixeira que é seu governo. Enquanto isso, fora do olhar de especialistas neoliberais que agora atendem a estúdios com audiências, grupos autônomos estão se mobilizando para fornecer ajuda mútua a seus vizinhos e aos mais atingidos pelo vírus que explode.

De pandemia a guerra de classes.

Para milhões de pessoas pobres e trabalhadoras, a vida neste país vai mudar – e mudar muito rapidamente. Muitas empresas já estão começando a demitir trabalhadores à medida que a economia desacelera. Trabalhadores com baixos salários, muitos que já vivem à beira do despejo e dos sem-teto, agora se vêem recebendo ainda menos dinheiro e com crianças pequenas, recentemente forçadas a sair da escola, para assistir e se alimentar.

De muitas maneiras, o coronavírus acelerou todas as trajetórias do capitalismo moderno que nos empurravam para a nossa posição atual, automação e a grande economia, deslocando trabalhadores para formas precárias de emprego, aumento do custo de vida e falta de recursos e de acesso a cuidados de saúde, educação e creche acessíveis para crianças. Para piorar a situação, os EUA serão abalados por uma inundação de pessoas muito doentes tentando acessar um sistema de saúde quebrado e despreparado para lidar com uma pandemia em larga escala.

Já existem sinais de raiva crescente. Estudantes em Ohio protestaram depois que a polícia tentou empurrá-los para fora das ruas após um aviso de despejo de 24 horas em seu campus em Dayton e estudantes do MIT protestaram quando foram forçados a sair também; alguns sem ter idéia de para onde iriam. Os trabalhadores da Fiat no Canadá abandonaram o cargo devido a preocupações com o vírus da gripe aviária e os funcionários de fast food nos Estados Unidos fizeram piquetes e exigiram licença médica paga .

Diante dessa crescente raiva de classe que ameaça transbordar em uma onda potencialmente insurrecional, as elites já começaram a afrouxar algumas correntes por medo. De conversas sobre um pacote de estímulo a uma moratória sobre o pagamento de juros para empréstimos estudantis , a polícia suspendendo prisões por pequenos delitos e diminuindo as patrulhas em geral , o esforço para libertar infratores não violentos , a AT&T encerrando o limite de dados , a suspensão de despejos em muitas cidades , e Detroit devolvendo a água a residentes que possuem contas a pagar . Em resumo, as pessoas pobres e trabalhadoras de todo o mundo devem reconhecer que os que estão no poder – têm medo.

Nesse momento, as pessoas comuns precisam aproveitar a iniciativa e se organizar; antes que um novo normal ocorra e o Estado possa re-solidificar sua autoridade. O governo Trump tentará fazer isso através de violência contundente e ordens policiais, já que a guarda nacional já está entrando em várias cidades . Os democratas e a mídia neoliberal, aposta em Joe Biden.

Se as pessoas pobres e trabalhadoras veem dentro do coronavírus não apenas uma pandemia que possivelmente deixará um grande número de mortes, mas também a crise muito real que é o capitalismo industrial moderno, então devemos nos mobilizar para nossos próprios interesses, recuar e realmente lute. Isso significa exigir não apenas pão e manteiga: moradia gratuita, acesso a alimentos, fim de despejos e água potável, mas também construir novas relações humanas, novas formas de vida real. Isso significa criar maneiras de atender às nossas necessidades, tomar decisões, organizar-se e resolver problemas fora da estrutura do Estado e do sistema capitalista.

Para esse fim, somos encorajados pela explosão de projetos de base e autônomos de ajuda mútua que estão surgindo nos EUA. Desde os primeiros estágios do Movimento Ocupar, vimos esse crescimento de mobilização espontânea diante de uma crise. Esses esforços devem continuar a se organizar, crescer, interligar-se e aprofundar suas conexões nos bairros populares e da classe trabalhadora.

O coronavírus e o capitalismo de desastre.

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Autor: Eoin Higgins, Jon Dale, Bruna Narcizo, Rob Wallace.

Data: 2020

Pela terceira vez em 20 anos, um novo vírus se espalhou de animais para humanos. Começou em 29 de dezembro em Wuhan, uma cidade chinesa de onze milhões, provavelmente atravessando para humanos em um mercado de animais vivos.

O número exato de casos é desconhecido. Cerca de 830 foram identificados até 24 de janeiro, mas o número real foi estimado em 4.000. Vinte e seis morreram – cerca de 3%. O vírus da gripe sazonal mata menos de 1% das pessoas infectadas, cerca de 400.000 mortes por ano em todo o mundo.

Então, por que o pânico? As pessoas não têm resistência ao novo vírus. Não há vacina ou tratamento comprovado. Se o vírus se espalhar, o número de mortes também aumentará.

Não é uma má notícia para todos, no entanto. Os fabricantes de máscaras cirúrgicas estão desfrutando de uma demanda 500 vezes maior que a produção usual. Durante o surto de gripe aviária de 2009, a 3M vendeu mais US $ 100 milhões em máscaras.

As empresas farmacêuticas que fabricam medicamentos e vacinas antivirais também esperam uma bonança. As ações da Moderna subiram 11% em 22 de janeiro, depois que a empresa anunciou que estava desenvolvendo uma vacina. Como as agências de saúde dos EUA estão financiando o trabalho, parte, se não todo, do custo será coberto por fundos públicos – mas a Moderna manterá quaisquer lucros.

A Bloomberg News divulgou a história de voos baratos por Wuhan na noite de quinta-feira, citando o site de viagens Kayak:

Voar com a  China Southern Airlines Co.  para a John F. Kennedy International em 20 de maio custa apenas  US $ 193 , segundo o site de reservas de viagens  kayak.com . A viagem inclui 6 horas e 35 minutos em Wuhan. O próximo bilhete mais barato, com a  China Eastern Airlines Co.  via Xangai, é de  US $ 487 . Os  voos diretos da  American Airlines Inc. estão  em oferta  por  US $ 2.688 .

Os voos com descontos profundos apareceram no site depois que o vírus se espalhou pela China e em pelo menos 14 outros países.

O Businesss Insider  confirmou  sexta-feira de manhã que existem ofertas baratas para voos com rotas através de Wuhan, programadas para maio em Orbitz.

Sara Nelson, presidente do sindicato da Associação de Comissários de Bordo – CWA, disse à  Common Dreams que a venda de voos com desconto distribuídos pela cidade no centro do surto é inaceitável. Nelson instou os governos mundiais a garantir que a saúde pública seja priorizada nas viagens aéreas.

“A saúde pública não é uma mercadoria”, disse Nelson. “Precisamos de liderança responsável do nosso governo em coordenação com todas as partes interessadas”.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, Nelson pediu às companhias aéreas que protejam a saúde de suas tripulações.

Segundo o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, disse na quinta-feira que o coronavírus mortal pode prejudicar a economia chinesa e empurrar empregos de volta aos EUA.

“Acho que ajudará a acelerar o retorno de empregos para a América do Norte. Alguns para os EUA Provavelmente outros para o México ”, disse Ross durante uma entrevista na Fox Business Network quando questionado sobre os efeitos econômicos do vírus na China.

“Bem, primeiro de tudo, o coração de todo americano tem que sair para as vítimas do coronavírus”, disse Ross. “Não quero falar sobre uma volta da vitória sobre uma doença muito infeliz e muito maligna. Mas o fato é que isso dá às empresas outra coisa a considerar quando analisam sua cadeia de suprimentos, além de todas as outras coisas. ”

BRF aposta no aumento da exportações.

Os grandes produtores de proteína animal do Brasil afirmam que a epidemia de coronavírus, que começou na China, pode aumentar a procura de alimentos produzidos pela indústria brasileira, principalmente nos países asiáticos.

“Pode ser que tenha uma demanda maior pela segurança alimentar. Não gosto de dizer um resultado positivo, mas vamos dizer que podemos ter um incremento de volume, dado a segurança alimentar do nosso produto” disse Lorival Luz, presidente da BRF, durante a conferência do Credit Suisse em São Paulo.

Eduardo Miron, CEO da Marfrig, disse acreditar que a carne bovina também será beneficiada.
Segundo ele, se for comprovado que o vírus foi transmitido por conta de um hábito alimentar, pode auxiliar.

“Toda vez que existe alguma coisa em uma proteína, outra se beneficia. Isso pode ser mais um fator para aumentar o consumo de carne bovina, que não tem tido nenhum tipo de problema. É uma opção plausível e segura”, disse.

Agronegócio gera uma nova epidemia mortal.

Deixando de lado a guerra cultural, mercados úmidos e alimentos exóticos  são  básicos na China, como agora é a produção industrial, justapostos um ao outro desde a liberalização econômica pós-Mao. De fato, os dois modos de alimentação podem ser integrados por meio do uso da terra.

A expansão da produção industrial pode empurrar os alimentos silvestres cada vez mais capitalizados para o interior da paisagem primária, dragando uma variedade maior de patógenos potencialmente protopandêmicos. Loops periurbanos de crescente extensão e densidade populacional podem aumentar a interface (e transbordamento) entre populações não-humanas selvagens e a ruralidade recém-urbanizada.

Em todo o mundo, até mesmo as espécies mais selvagens de subsistência estão sendo amarradas a cadeias de valor: entre elas, avestruzes, porco-espinho, crocodilos, morcegos e palm civet, cujas bagas parcialmente digeridas agora fornecem o grão de café mais caro do mundo. Algumas espécies selvagens estão entrando nos garfos antes mesmo de serem cientificamente identificadas, incluindo um novo peixe-gato de nariz curto encontrado em um mercado de Taiwan.

Todos são cada vez mais tratados como mercadorias alimentares. À medida que a natureza é desfeita lugar a lugar, espécie por espécie, o que sobra se torna muito mais valioso.

O antropólogo weberiano Lyle Fearnley apontou que os agricultores na China manipulam repetidamente a distinção entre selvageria e domesticidade como um significante econômico, produzindo novos significados e valores associados aos seus animais, inclusive em resposta aos alertas epidemiológicos emitidos em torno de seu comércio. Um marxista pode adiar o fato de que esses significantes emergem de um contexto que se estende muito além do controle dos pequenos proprietários e se estende aos circuitos globais de capital.

Portanto, embora a distinção entre fazendas industriais e mercados úmidos não seja sem importância, podemos perder suas semelhanças (e relações dialéticas).

As distinções sangram juntas por vários outros mecanismos. Muitos pequenos agricultores em todo o mundo, inclusive na China, são na verdade contratados, cultivando aves de um dia, por exemplo, para processamento industrial. Assim, nas pequenas propriedades de um empreiteiro ao longo da borda da floresta, um alimento animal pode pegar um patógeno antes de ser enviado de volta para uma planta de processamento no anel externo de uma grande cidade.

Enquanto isso, a expansão de fazendas industriais pode forçar as empresas de alimentos silvestres cada vez mais corporatizadas a se arrastar mais fundo na floresta, aumentando a probabilidade de pegar um novo patógeno, enquanto reduz o tipo de complexidade ambiental com a qual a floresta interrompe as cadeias de transmissão.

Capital arma as investigações resultantes da doença. Culpar os pequenos agricultores agora é uma prática padrão de gerenciamento de crises do agronegócio, mas claramente as doenças são uma questão de  sistemas  de produção ao longo do tempo, espaço e modo, e não  apenas  atores específicos entre os quais podemos lidar com a culpa.

Em classe, os coronavírus parecem ultrapassar essas distinções. Enquanto o SARS e o 2019-nCoV pareciam ter emergido de mercados úmidos – possíveis porcos à parte -, o MERS, o outro coronavírus mortal, emergiu diretamente de um setor de camelos em industrialização no Oriente Médio. É um caminho para a virulência amplamente excluído de discussões científicas mais amplas sobre esses vírus.

O agronegócio sempre nos leva a um futuro tecno-utópico para nos manter em um passado limitado pelas relações capitalistas. Estamos girando e girando nas próprias faixas de mercadorias, selecionando novas doenças em primeiro lugar.

 

Novos vírus sempre ocorrerão, alguns cruzando para humanos e causando novas doenças infecciosas. A aglomeração, a proximidade de animais e pássaros vivos e as mudanças climáticas também ajudarão a espalhar-se, como demonstram quinhentos anos de guerra e pestilência, as fontes de capital que muitos epidemiologistas agora servem estão mais do que dispostas a escalar montanhas feitas de sacos de corpos.

 

Fontes: https://www.commondreams.org/news/2020/01/31/coronavirus-disaster-capitalism-airlines-offer-discounted-flights-layover-wuhan?amp

https://www.socialistworld.net/2020/01/29/coronavirus-capitalism-limits-response-to-viral-outbreaks/

https://time.com/5774473/wilbur-ross-coronavirus-comments/

https://www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2020/01/frigorificos-acreditam-que-coronavirus-pode-aumentar-exportacoes-brasileiras.shtml

Coronavirus: Agribusiness breeds another deadly epidemic

Bookchin sobre Bernie Sanders – quando o socialismo envelhece.

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Autor: Andrew Stewart

Data: 2015

Quero falar com você sobre um socialista de Vermont. Nascido em Nova York, ele atuou nos movimentos anti-Vietnã e de direitos civis na década de 1960 antes de se mudar para a cidade de Burlington, onde passou as próximas décadas criando um novo conjunto de idéias sócio-políticas que combinavam os contornos básicos de a velha ideologia socialista européia com as duras realidades do capitalismo industrial moderno, bem como uma crítica poderosa do caos ecológico causado pela hegemonia global da poluição por gases de efeito estufa.

Mas espere! Se você pensou que este era o começo de um discurso para o senador Bernie Sanders, está completamente enganado. Na verdade, estou me referindo ao falecido Murray Bookchin , um homem que, sob muitos aspectos, foi o oposto impressionante do que Bernie Sanders é em todos os sentidos. Tendo lido recentemente o trabalho bastante apologético de Patrick  de Walker   e Paul Street da correspondência que ele está recebendo em resposta às críticas a Sanders, acho que está na hora de alguém tirar os sandernistas da ilusão em massa e pedir que acordem.

Eu tenho um senso de respeito por aqueles que apóiam Sanders em sua busca pela indicação do Partido Democrata. Ou melhor, eu fiz. O que me fez mudar de idéia é a reação dos apoiadores de Sanders às técnicas de ação direta dos manifestantes do #BlackLivesMatter.“ Essas pessoas não percebem que Bernie é a melhor coisa para elas nesta campanha? – Eles não sabem que Bernie marchou com Martin Luther King Jr.?”Na minha própria prática, tenho uma regra muito simples: se alguém não fará nenhum mal real, eu deixo que se apegue a suas crenças. Não é meu lugar como repórter dar uma notícia sobre “O Papai Noel não existe” porque isso machucaria apenas aqueles que acreditam no Papai Noel, indivíduos que não têm capacidade de causar sérios danos a outras pessoas.

Mas com o nível de bobagens condescendentes, auto-importantes e preconceituosas dos sandernistas, vejo uma ameaça real. Eu posso imaginar em termos muito concretos um momento no futuro próximo, onde Sanders não derrubará a máquina de Clinton.

O FiveThirtyEight.com de Nate Silver publicou recentemente uma história de Harry Enten intitulada O SURTO SANDERS PARECE TER ACABADO, onde Enten mostra com precisão matemática que Bernie alcançou seu crescimento:

Há pouco tempo, o candidato presidencial democrata Bernie Sanders estava em alta. Em apenas alguns meses, o senador de Vermont reduziu pela metade a liderança de Hillary Clinton em Iowa e mudou-se para uma distância gritante dela em New Hampshire. Mas provavelmente é hora de mudar o tempo verbal. Sanders não está mais crescendo. Ele subiu. A partir de agora, obter suporte adicional será mais difícil … O suporte para Sanders disparou em Iowa, mas se estabilizou desde junho. A história é quase a mesma em New Hampshire. Sanders subiu de junho a julho no Estado de Granito, mas sua subida diminuiu.

Eneten aponta várias razões possíveis que poderiam ter contribuído para isso. Parte disso tem a ver com o fato de Bernie ser o recém-chegado quando anunciou sua candidatura no final de maio, em comparação com Hillary Clinton, que parece estar concorrendo ao cargo desde o dia seguinte à posse de 2012. No início do verão, o PAC Run Warren Run foi dissolvido quando o senador de Massachusetts anunciou que não faria uma oferta presidencial. Como resultado, os partidários de Warren combinaram forças com os partidários de Sanders, baseados em parte na política e em parte por causa de sua antipatia mútua pelos Clintons. Claro, isso não é novidade, acontece a cada ciclo eleitoral, os democratas lançam um candidato aparentemente radical que tem uma grande corrida de abertura, mas não consegue manter o ritmo durante a corrida. Os nomes Howard Dean ou Dennis Kucinich parecem familiares? Mas para aqueles que estão sentindo a febre de Bernie Sanders, a ocorrência coincidente do protesto #BlackLivesMatter com seu desempenho lento nas pesquisas apenas gera sonhos conspiratórios de febre de que foram aqueles negros traquinas que mataram a chance de Bernie.

Já que estamos falando de raça e Bernie hoje em dia, vamos falar sobre seu supostamente ótimo currículo juvenil. Todo mundo agora está apaixonado pelas fotos dele na era dos Direitos Civis, e isso é uma façanha respeitável. 

Quando Sanders se mudou para Vermont, Murray Bookchin já estava trabalhando em um corpus sério de literatura socialista anti-autoritária, tingida com um ethos ambiental que estava no caminho antes de ser “verde” era uma coisa da moda. Quando ele viu Sanders, ele lhe deu uma chance, mas rapidamente o viu como um oportunista e um showboat, escrevendo um artigo chamado SOCIALISMO EM UMA CIDADE? O PARADOXO DE BERNIE SANDERS: QUANDO O SOCIALISMO ENVELHECE a edição de 5 de janeiro de 1986 da revista Socialist Review . Aqui está uma amostra de Sanders recebendo o tratamento Bookchin:

Falsificá-lo por seu discurso sem adornos e maneiras machistas é ignorar o fato de que suas noções de uma “análise de classe” são estritamente produtivistas e envergonhariam um Lenin, sem mencionar um Marx … A tragédia é que Sanders não viveu sua vida entre 1870 e 1940, e o paradoxo que o enfrenta é: por que uma constelação de idéias que parecia tão rebelde cinquenta anos atrás parece ser tão conservadora hoje em dia?

Pelo resto da vida, Bookchin proporia o que ele chamava de “anarquismo pós-escassez” e “comunalismo”, um sistema de governança democrática direta que poderia ser implementado em tempo real para Burlington. Em resposta, Sanders o dispensou como um idiota.

Quando perguntado em 1988 em seu programa de TV a cabo sobre seus pensamentos sobre a campanha de desobediência civil não violenta dos palestinos, a Primeira Intifada, supervisionada pela Organização de Libertação da Palestina apoiada pelos soviéticos e socialista, ele foi mais enfático sobre a responsabilidade árabe do que algo mais. ele condena uma cena de brutalidade que foi capturada pela câmera, mas o faz de uma maneira que parece que esse tipo de coisa era um caso excepcional de soldados saindo do controle, em vez de um exemplo de brutalização contínua e sistêmica. Quando confrontado sobre o cerco de Israel a Gaza no ano passado, ele tentou afirmar que o Hamas estava de alguma forma alinhado com o ISIS.

Quanto a essa idéia de “social-democracia escandinava”, vamos ser sérios. A Escandinávia tem um orçamento militar muito menor que o nosso, daí a razão pela qual eles podem financiar cuidados de saúde e estudos universitários gratuitos. Mas, mesmo assim, eles não são tão bons assim. A Escandinávia, como o resto da Europa Ocidental, está no meio de um dilúvio de imigração de refugiados causado por aventuras americanas no Levante e no norte da África. Como resultado, um movimento de direita que é sem dúvida mais racista que o nosso, se isso for possível, encontrou um ressurgimento entre os eleitores.

Ao alinhar-se com os democratas, Sanders está dando aprovação tácita ao próprio partido que lançou o Primeiro Red Scare de 1918, supervisionado por Woodrow Wilson, bem como o Red Scare de 1947, iniciado por Harry Truman. Este é o mesmo Partido Democrata que encarcerou o candidato presidencial do Partido Socialista Eugene V. Debs (supostamente o herói de Bernie), enganou os holofotes da campanha do Partido Progressista de Henry Wallace em 1948, revogou o passaporte de Paul Robeson em 1950 e deu subsídio final a Invasão da Baía dos Porcos e levou o terror americano à Coréia e ao Vietnã. Expropriar os expropriadores ou ganhar dinheiro, o que um socialista deve fazer?

Uma das polêmicas que acabou sendo uma das melhores de Murray Bookchin foi intitulada ESCUTE MARXISTA!, escrito em 1969. Bookchin esteve envolvido na Students for a Democratic Society (SDS) e viu muito antes de mais alguém que o espírito independente da contracultura iria fracassar, que os dias de glória de Paris 1968 foram relâmpagos. e a Nova Esquerda estava vendendo sua alma para um tipo de dogmatismo marxista que só pode chamar uma coisa, um culto. Bookchin estava envolvido na política revolucionária porque queria falar sobre o socialismo como um sistema vivo, respiratório e moderno da política de libertação emancipatória. Em vez disso, ele viu seus companheiros caírem em um pântano de culto de stalinistas, trotskistas e maoístas.

Esse é exatamente o meu sentimento sobre toda a coisa de Bernie Sanders. Estou muito cansado pelo Partido Democrata para entrar em formação e participar da linha do coro. Agora, se Bernie Sanders estivesse fazendo algo intelectualmente estimulante, como emitir uma antologia de seus escritos socialistas favoritos como uma espécie de AUDACITY OF HOPE com um pouco mais de força e tentar ter uma conversa sobre socialismo, isso seria respeitável. Eu estaria a bordo e seria voluntário em tempo integral de uma campanha quixotesca, onde, sabendo muito bem que ele perderia, Bernie incentivou a deixar cem flores desabrocharem e cem escolas de pensamento, de modo a promover um diálogo nacional sobre o marxismo, IWW, leninismo e outras variedades de social-democracia. Mas tudo o que temos é um culto à personalidade. “Bernie marchou com Martin Luther King, Jr.! – Bernie chamou Alan Greenspan! – O presidente Sanders diz que luta sozinho! ”“ Marshall Sanders purificação dos nossos fileiras dos wreckers trotskistas! ” Oh, por favor.

Eu tenho simpatia por aqueles apoiantes desiludidos de Sanders, honestamente, eu era um católico muito religioso e as formas de se separar da Mãe Igreja tiveram seus momentos difíceis. Mas aqui está o problema: a política eleitoral americana em nível nacional é simplesmente muito corrupta para afetar mudanças reais. Provavelmente não tivemos uma eleição legítima desde que Richard Nixon resolveu o problema em 1968. Quando Ronald Reagan apareceu, tudo estava sob controle. Obama, apesar de todas as suas realizações, era menos um cientista político e mais um astro do rock, e a disputa principal em 2008 contra Hillary Clinton estava mais próxima do American Idol do que da democracia americana.

Se você quiser ver uma mudança real em nosso mundo, precisará fazê-lo da maneira antiga, trabalhando em colaboração com outras pessoas para criar estruturas que possam substituir os velhos modos corruptos do mundo, você pode ‘ Não afeta as alterações na cabine de votação, no FaceBook ou na Internet. Trata-se de solidariedade e forjar alianças interculturais.

Talvez um ponto de partida seja o pessoal do #BlackLivesMatter. Eles acabaram de apresentar uma plataforma com uma série de soluções políticas sustentáveis ​​e reais para conter a violência policial. E o grupo perfeito para promover essa plataforma são os progressistas agora reunidos em torno de Bernie Sanders, eles têm os recursos, as finanças e o senso de moralidade que podem ajudar o BLM a florescer.

Somente então, unidos como um, talvez um movimento revolucionário real pudesse mudar as coisas. Mas isso exigiria algo semelhante à reescrita da própria Constituição Americana.

Noam Chomsky: EUA são um estado desonesto e o assassinato de Suleimani o confirma.

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Autor: Noam Chomsky

Data: 2020

A decisão de Trump de assassinar o principal líder militar do Irã,o general Qassim Suleimani, acrescentou outro nome à lista de pessoas mortas pelos EUA – que muitos consideram, com razão, o maior estado desonesto do mundo.

O assassinato aumentou as hostilidades entre Teerã e Washington e criou uma situação ainda mais explosiva no Oriente Médio politicamente volátil. Como era de se esperar, o Irã prometeu retaliar em seus próprios termos pela morte de seu general, ao mesmo tempo em que anunciava que se retiraria do acordo nuclear com o Irã. O parlamento do Iraque, por sua vez, votou na expulsão de todas as tropas americanas, mas Trump respondeu com ameaças de sanções se os EUA forem forçados a remover suas tropas do país.

Como o intelectual público de renome mundial Noam Chomsky destaca nesta entrevista exclusiva para Truthout , o principal objetivo da política externa dos EUA no Oriente Médio foi controlar os recursos energéticos da região. Aqui, Chomsky – professor universitário emérito do MIT e professor de linguística da Universidade do Arizona, que publicou mais de 120 livros sobre linguística, assuntos globais, política externa dos EUA, estudos de mídia, política e filosofia – oferece sua análise do ato imprudente de Trump e seus possíveis efeitos.

CJ Polychroniou: Noam, o assassinato norte-americano do comandante da Força Quds no Irã, Qassim Suleimani, reafirmou a obsessão de Washington por Teerã e seu regime clerical, que remonta ao final da década de 1970. Qual é o conflito entre EUA e Irã e o assassinato de Suleimani constitui um ato de guerra?

Noam Chomsky: Ato de guerra? Talvez possamos nos contentar com o terrorismo internacional imprudente. Parece que a decisão de Trump, por um capricho, chocou as altas autoridades do Pentágono que o informaram sobre opções, por motivos pragmáticos. Se desejamos olhar além, podemos perguntar como reagiríamos em circunstâncias comparáveis.

Suponha que o Irã assassine o segundo oficial mais alto dos EUA, seu principal general, no aeroporto internacional da Cidade do México, juntamente com o comandante de uma grande parte do exército apoiado pelos EUA de uma nação aliada. Isso seria um ato de guerra? Outros podem decidir. É suficiente reconhecermos que a analogia é justa o suficiente e que os pretextos apresentados por Washington colapsam tão rapidamente no exame que seria embaraçoso percorrê-los.

Suleimani era muito respeitado – não apenas no Irã, onde ele era uma espécie de figura cult. Isso é reconhecido por especialistas americanos no Irã. Um dos especialistas mais proeminentes, Vali Nasr (sem pomba, e que detesta Suleimani), diz que os iraquianos, incluindo os curdos do Iraque, “não o veem como a figura nefasta que o Ocidente faz, mas eles o veem através do prisma de Eles não esqueceram que quando o enorme exército iraquiano treinado pelos EUA e fortemente armado entrou em colapso, e a capital curda de Erbil, Bagdá e todo o Iraque estavam prestes a cair nas mãos do ISIS [também conhecido como Daesh]. ], foram Suleimani e as milícias xiitas iraquianas que ele organizou que salvaram o país. Não é uma questão pequena.

Quanto ao motivo do conflito, as razões básicas não são obscuras. Há muito que é um princípio primário da política externa dos EUA controlar os vastos recursos energéticos do Oriente Médio: controlar , não necessariamente usar. O Irã tem sido central nesse objetivo durante o período pós-Segunda Guerra Mundial, e sua fuga da órbita dos EUA em 1979 tem sido intolerável.

A “obsessão” pode ser atribuída a 1953, quando a Grã-Bretanha – o senhor do Irã desde que o petróleo foi descoberto lá – não conseguiu impedir o governo de assumir seus próprios recursos e apelou à superpotência global para gerenciar a operação. Não há espaço para revisar o curso da obsessão, pois em detalhes, mas alguns destaques são instrutivos.

A Grã-Bretanha chamou Washington com certa relutância. Fazer isso significa render mais do seu antigo império aos EUA e diminuir ainda mais o papel de “parceiro júnior” na gestão global, como reconheceu o escritório de relações exteriores com consternação. A administração Eisenhower assumiu. Ele organizou um golpe militar que derrubou o regime parlamentar e reinstalou o xá, restaurando a concessão de petróleo às suas legítimas mãos, com os EUA assumindo mais de 40% da antiga concessão britânica. Curiosamente, Washington teve que forçar as grandes empresas americanas a aceitar esse presente; eles preferiram manter o petróleo saudita mais barato (que os EUA haviam tomado da Grã-Bretanha em uma mini guerra durante a Segunda Guerra Mundial). Mas, sob coerção do governo, eles foram forçados a cumprir:

O xá começou a instituir uma dura tirania. Ele foi regularmente citado pela Anistia Internacional como um dos principais praticantes de tortura, sempre com forte apoio dos EUA, quando o Irã se tornou um dos pilares do poder dos EUA na região, juntamente com a ditadura da família saudita e Israel. Tecnicamente, o Irã e Israel estavam em guerra. Na realidade, eles tinham relações extremamente estreitas, que surgiram publicamente após a derrubada do xá em 1979. As relações tácitas entre Israel e Arábia Saudita estão surgindo muito mais claramente agora, no quadro da aliança reacionária que o governo Trump está forjando como um base para o poder dos EUA na região: as ditaduras do Golfo, a ditadura militar egípcia e Israel, ligadas à Índia de Modi, ao Brasil de Bolsonaro e outros elementos similares.

O governo Carter apoiou fortemente o xá até o último momento. Altas autoridades americanas – [Henry] Kissinger, [Dick] Cheney, [Donald] Rumsfeld – apelaram às universidades dos EUA (principalmente a minha, MIT) por fortes protestos estudantis, mas aquiescência do corpo docente) para ajudar os programas nucleares do Xá, mesmo depois que ele deixou claro que ele estava procurando armas nucleares. Quando o levante popular derrubou o xá, o governo Carter estava aparentemente dividido quanto a apoiar ou não o conselho do embaixador de fato de fato Uri Lubrani, que aconselhou que “Teerã pode ser tomado por uma força relativamente pequena, determinada, implacável, cruel. Quero dizer, os homens que liderariam essa força terão que ser emocionalmente orientados para a possibilidade de terem que matar dez mil pessoas.

Não funcionou, e logo o aiatolá Khomeini assumiu uma enorme onda de entusiasmo popular, estabelecendo a brutal autocracia clerical que ainda reina, esmagando os protestos populares.

Pouco depois, Saddam Hussein invadiu o Irã com forte apoio norte-americano, não afetado por seu recurso a armas químicas que causaram enormes baixas iranianas; seus monstruosos ataques de guerra química contra os curdos iraquianos foram negados por Reagan, que tentou culpar o Irã e bloqueou a condenação do congresso.

Finalmente, os EUA assumiram o controle, enviando forças navais para garantir o controle de Saddam sobre o Golfo. Depois que o cruzador de mísseis guiado pelos EUA, Vincennes, derrubou um avião civil iraniano em um corredor comercial claramente marcado, matando 290 passageiros e retornando ao porto com grande aclamação e prêmios por serviços excepcionais, Khomeini capitulou, reconhecendo que o Irã não pode lutar contra o presidente dos EUA, Bush, depois convidou Cientistas nucleares iraquianos em Washington para treinamento avançado em produção de armas nucleares, uma ameaça muito séria contra o Irã.

Os conflitos continuaram sem interrupção, nos anos mais recentes, concentrando-se nos programas nucleares do Irã. Esses conflitos terminaram (em teoria) com o Plano de Ação Conjunto Conjunto (JCPOA) em 2015, um acordo entre o Irã e os cinco membros permanentes da ONU, além da Alemanha, no qual o Irã concordou em reduzir drasticamente seus programas nucleares – nenhum deles programas de armas – em troca de concessões ocidentais. A Agência Internacional de Energia Atômica, que realiza inspeções intensivas, relata que o Irã cumpriu plenamente o acordo. A inteligência dos EUA concorda.

O tópico suscita muito debate, diferente de outra pergunta: os EUA observaram o acordo? Aparentemente não. O JCPOA declara que todos os participantes estão empenhados em não impedir a reintegração do Irã na economia global, particularmente no sistema financeiro global, que os EUA efetivamente controlam. Os EUA não têm permissão para interferir “em áreas de comércio, tecnologia, finanças e energia” e outras.

Embora esses tópicos não sejam investigados, parece que Washington tem interferido constantemente.

O presidente Trump alega que sua demolição efetiva do JCPOA é um esforço para negociar uma melhoria. É um objetivo digno, facilmente realizado. Qualquer preocupação com as ameaças nucleares iranianas pode ser superada com o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares (NWFZ) no Oriente Médio, com inspeções intensivas como as implementadas com sucesso no âmbito do JCPOA.

Como discutimos anteriormente , isso é bastante direto. O apoio regional é esmagador. Os estados árabes iniciaram a proposta há muito tempo e continuam a agitá-la, com o forte apoio do Irã e dos antigos países não alinhados (G-77, agora 132 países). A Europa concorda. De fato, existe apenas uma barreira: os EUA, que vetam regularmente a proposta quando ela é apresentada nas reuniões de revisão dos países do Tratado de Não Proliferação, mais recentemente por Obama em 2015. Os EUA não permitirão a inspeção da enorme quantidade de armas nucleares de Israel. arsenal, ou mesmo admitir sua existência, embora não esteja em dúvida. O motivo é simples: sob a lei dos EUA (a Emenda Symington), conceder sua existência exigiria o término de toda a ajuda a Israel.

Portanto, o método simples de acabar com a suposta preocupação com uma ameaça iraniana é descartado e o mundo deve enfrentar perspectivas sombrias.

Como esses tópicos dificilmente são mencionados nos EUA, talvez valha a pena reiterar outro assunto proibido: os EUA e o Reino Unido têm uma responsabilidade especial de trabalhar para estabelecer um NWFZ no Oriente Médio. Eles estão formalmente comprometidos em fazer isso de acordo com o Artigo 14 da Resolução 687 do Conselho de Segurança da ONU, que eles invocaram em seus esforços para inventar uma base jurídica fina para a invasão do Iraque, alegando que o Iraque violou a resolução com programas de armas nucleares. O Iraque não, como eles logo foram forçados a ceder. Mas os EUA continuam a violar a resolução até o presente, a fim de proteger seu cliente israelense e permitir que Washington viole a lei dos EUA.

Fatos interessantes, que, infelizmente, são aparentemente incendiários demais para ver a luz do dia.

Não faz sentido rever os anos que se seguiram nas mãos do homem “enviado por Deus para salvar Israel do Irã”, nas palavras da figura séria da administração, secretário de Estado Mike Pompeo.

Voltando à pergunta original, há muito o que se refletir sobre o que é o conflito. Em uma frase, principalmente o poder imperial, dane-se as consequências.

O termo “estado desonesto” (amplamente utilizado pelo Departamento de Estado dos EUA) refere-se à busca de interesses do Estado sem levar em consideração os padrões aceitos de comportamento internacional e os princípios básicos do direito internacional. Dada essa definição, os EUA não são um exemplo de um estado desonesto?

Os funcionários do Departamento de Estado não são os únicos a usar o termo “estado desonesto”. Ele também tem sido usado por importantes cientistas políticos americanos – referindo-se ao Departamento de Estado. Não de Trump, de Clinton.

Durante a era entre as atrocidades terroristas assassinas de Reagan na América Central e a invasão do Iraque por Bush, eles reconheceram que, em grande parte do mundo, os EUA estavam “se tornando a superpotência desonesta”, considerada “a maior ameaça externa às suas sociedades” e que , “Aos olhos de grande parte do mundo, de fato, o principal estado desonesto hoje são os Estados Unidos” (professor de Harvard da ciência do governo e conselheiro do governo Samuel Huntington; presidente da Associação Americana de Ciência Política Robert Jervis. o principal jornal do estabelecimento, Foreign Affairs , 1999, 2001).

Depois que Bush assumiu, as qualificações foram retiradas. Foi afirmado como fato que os EUA “assumiram muitas das características das ‘nações desonestos’ contra as quais … travaram batalhas”. Outros fora do mainstream dos EUA podem pensar em palavras diferentes para o pior crime do milênio, um exemplo de agressão sem pretexto credível, o “crime internacional supremo” de Nuremberg.

E outros às vezes expressam suas opiniões. A Gallup realiza pesquisas regulares de opinião internacional. Em 2013 (os anos de Obama), perguntou pela primeira vez, qual país é a maior ameaça à paz mundial. Os EUA venceram; ninguém mais chegou perto. Em segundo lugar, o Paquistão ficou muito atrás, presumivelmente inflado pelo voto indiano. O Irã – a maior ameaça à paz mundial no discurso americano – mal foi mencionado.

Foi também a última vez que a pergunta foi feita, embora não tenha havido muita preocupação. Parece não ter sido relatado nos EUA.

Podemos refletir um pouco mais sobre essas questões. Devemos reverenciar a Constituição dos EUA, especialmente os conservadores. Portanto, devemos rever o Artigo VI, que declara que os tratados válidos devem ser “a lei suprema da terra” e os funcionários devem estar vinculados por eles. Nos anos pós-guerra, de longe o mais importante tratado é a Carta da ONU, instituída sob a iniciativa dos EUA. Proíbe “a ameaça ou uso da força” nos assuntos internacionais; especificamente, o refrão comum de que “todas as opções estão abertas” em relação ao Irã. E todos os casos de recurso à força, a menos que explicitamente autorizado pelo Conselho de Segurança ou em defesa contra ataques armados (uma noção restrita) até que o Conselho de Segurança, que deve ser imediatamente notificado, seja capaz de agir para encerrar o ataque.

Podemos considerar como seria o mundo se a Constituição dos EUA fosse considerada aplicável aos EUA, mas vamos deixar essa pergunta interessante de lado – não, no entanto, sem mencionar que existe uma profissão respeitada, chamada “advogados internacionais e professores de direito”. que podem explicar com sabedoria que as palavras não significam o que elas significam.

O Iraque luta desde a invasão dos EUA em 2003 para manter uma situação equilibrada com Washington e Teerã. No entanto, o parlamento iraquiano votou após o assassinato de Suleimani para expulsar todas as tropas americanas. É provável que isso aconteça? E, se houver, que impacto teria nas futuras relações EUA-Iraque-Irã, incluindo a luta contra o ISIS?

Não sabemos se isso vai acontecer. Mesmo que o governo iraquiano ordene que os EUA saiam, isso será feito? Não é óbvio e, como sempre, a opinião pública nos EUA, se organizada e comprometida, pode ajudar a fornecer uma resposta.

Quanto ao ISIS, Trump acabou de conceder outra vida, assim como deu um cartão de “sair da cadeia” quando traiu os curdos sírios, deixando-os à mercê de seus inimigos amargos, Turquia e Assad, depois de terem cumprido sua função de combater a guerra contra o ISIS (com 11.000 baixas, em comparação com meia dúzia de americanos). O ISIS se organizou a princípio com a prisão e agora está livre para fazê-lo novamente.

O ISIS também recebeu um presente de boas-vindas no Iraque. O eminente historiador do Oriente Médio Ervand Abrahamian observa :

O assassinato de Soleimani … realmente proporcionou uma maravilhosa oportunidade para o ISIS se recuperar. Haverá um ressurgimento do ISIS em Mosul, no norte do Iraque. E isso, paradoxalmente, ajudará o Irã, porque o governo iraquiano não terá escolha a não ser confiar cada vez mais no Irã para poder conter o ISIS [que liderou a defesa do Iraque contra o ataque do ISIS, sob o comando de Suleimani] … Trump saiu do norte do Iraque, da área onde o ISIS estava, tirou o tapete dos curdos e agora ele declarou guerra às milícias pró-iranianas. E o exército iraquiano não era no passado capaz de lidar com o ISIS . Então, o óbvio é agora, o governo iraquiano, como eles vão lidar com o renascimento do ISIS ? … Eles não terão escolha a não ser confiar mais e mais no Irã. Portanto, Trump realmente minou sua própria política, se ele deseja eliminar a influência do Irã no Iraque.

Assim como W. Bush fez quando invadiu o Iraque.

Não devemos esquecer, no entanto, que um poder enorme pode se recuperar da confusão e do fracasso – se a população doméstica permitir.

Putin parece ter ultrapassado os EUA não apenas na Síria, mas em quase todos os outros lugares na frente do Oriente Médio. O que Moscou está buscando no Oriente Médio e qual a sua explicação para a diplomacia freqüentemente infantil exibida pelos Estados Unidos na região e de fato em todo o mundo?

Um objetivo, alcançado substancialmente, era ganhar o controle da Síria. A Rússia entrou no conflito em 2015, depois que armas avançadas fornecidas pela CIA aos exércitos majoritariamente jihadistas pararam as forças de Assad. As aeronaves russas viraram a maré e, sem se preocupar com o incrível número de mortos, a coalizão apoiada pela Rússia assumiu o controle da maior parte do país. A Rússia é agora o árbitro externo.

Em outros lugares, mesmo entre os aliados do Golfo de Washington, Putin se apresentou, aparentemente com algum sucesso, como o ator externo de confiança. A diplomacia de Trump em uma loja na China (se essa é a palavra certa) está conquistando poucos amigos fora de Israel, nos quais ele está dando presentes, e os outros membros da aliança reacionária tomando forma. Qualquer pensamento de “soft power” foi praticamente abandonado. Mas as reservas americanas de força são enormes. Nenhum outro país pode impor sanções severas à vontade e obrigar terceiros a honrá-los, a custo de expulsão do sistema financeiro internacional. E, é claro, ninguém mais tem centenas de bases militares em todo o mundo ou qualquer coisa como o avançado poder militar de Washington e a capacidade de recorrer à força à vontade e com impunidade. A idéia de impor sanções aos EUA,

E, portanto, é provável que permaneça como “aos olhos de grande parte do mundo, de fato, o principal estado desonesto hoje é os Estados Unidos”, consideravelmente mais de 20 anos atrás quando essas palavras foram proferidas, a menos e até a população obriga o poder estatal a seguir um caminho diferente.

Esta entrevista foi levemente editada para maior clareza e duração.

Justiça Restaurativa e Responsabilidade pela Violência Sexual.

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Autor: Emmi Bevensee

Data: 2017

 

Os anarquistas assumem uma posição firme contra o sistema penitenciário e os esquemas de punições carcerais, punitivas e estatistas. Como resultado, buscamos alternativas e tendemos a nos voltar para os processos de responsabilização liderados pela comunidade e pelos sobreviventes com uma intenção geralmente restauradora e transformadora. A justiça restaurativa (JR) é uma abordagem para lidar com os danos causados, focada em reparar o dano real, em vez de apenas remover ou punir fisicamente alguém.  Justiça transformadora(JT) é a lente estrutural maior que deve acompanhar os processos restauradores e procura transformar as condições que contribuem para os ciclos de marginalização, violência e trauma sem remover a responsabilidade pessoal dos infratores. A justiça transformadora busca normalizar uma cultura de justiça restaurativa, em vez de punitiva, além dos casos individuais.

Justiça restaurativa e violência sexual.

Na realidade, grande parte, se não a maioria, das questões interpessoais com as quais as comunidades anarquistas lidam com incidências de violência sexual que são, às vezes, bastante complicadas de resolver. Esses incidentes geralmente levam à completa dissolução ou fraturamento de redes ativistas anteriormente funcionais, associadas a traumas repetidos para os sobreviventes e à falta de mudanças substanciais do indivíduo que cometeu o crime. Em situações em que o JR não funciona (por várias razões) ou atende às expectativas da comunidade, as comunidades anarquistas costumam recorrer de má vontade ou, às vezes, com sede de sangue, em uma escala que varia da dissociação ao uso de violência física para empurrar as pessoas para fora das comunidades. A violência sexual é muitas vezes envolvida com a violência do estado e muitos estupradores e misóginos se tornam informantes. Devido a todas as complexidades que esses caminhos apresentam, é importante que nos envolvamos em processos de prestação de contas com um grau de humildade, porque nos faltam processos perfeitos, mesmo que o imperativo de criar alternativas funcionais ao sistema punitivo estatista e racista esteja pairando sobre nós.

Existe um precedente significativo para a justiça restaurativa em casos de violência sexual. No entanto, é mais difícil do que a maioria dos outros tipos de crime e requer grande adesão intrínseca dos sobreviventes e, geralmente, não funciona para agressão sexual infantil (ASI). Também existe a possibilidade de usar sobreviventes substitutos para processos restauradores de agressão sexual ou de ASI. A dificuldade das “ conferências de agressores vítimas ” adultas nesses casos é que a dinâmica do relacionamento que levou à violência sexual pode ser encenada de maneira subverbal, para que nem os facilitadores os capturem, mas o sobrevivente. Há situações em que a JR trabalha com a ASI, mas são muito mais complicadas porque as pessoas geralmente regride papéis de dominação infantil mais facilmente. Com as vítimas substitutas, geralmente existem pistas diferentes, portanto elas não podem desencadear a dominação e manipulação sutis com a mesma facilidade. No entanto, como nos processos restauradores de adultos, os sobreviventes e agressores substitutos passam por intensos processos de preparação antes da reunião inicial para garantir que a pessoa que cometeu os atos de violência dificilmente recrie o trauma para o sobrevivente. É geralmente considerado mais eficaz usar o sobrevivente e o agressor real, quando apropriado. A JR é centrado no sobrevivente, embora reconheça profundamente os traumas e eventos que levaram às decisões dos infratores. 

A justiça restaurativa reconhece que o dano causado não ocorre isoladamente e, como tal, só pode ser tratado no nível das redes de pessoas afetadas. É por isso que na Nova Zelândia o modelo de conferência de grupo familiarpraticamente substituiu completamente o sistema de justiça juvenil. Alguns exemplos dos tipos de restaurações que uma pessoa que passa pela prestação de contas na JR podem ser solicitadas são: ouvir a história completa dos sobreviventes e entender profundamente o impacto que eles tiveram sobre eles e a comunidade, pagar pelos salários perdidos (tempo de folga do trabalho) por exemplo) ou custos acumulados (como terapia) como resultado do dano, ajudar com tipos de tarefas dificultadas pelo incidente ofensivo (isso depende da relação do processo individual), ordens de restrição da comunidade e acordos de espaço, voluntariado em uma organização de abuso sexual para desenvolver empatia, etc. Esses exemplos dão uma noção de como o dano causado e os processos reparativos reparadores são coletivos e individuais.

Justiça restaurativa e abusador em série.

Os processos de responsabilização restaurativa tendem a não funcionar com abusadores em série impenitentes, especialmente aqueles com tendências fortemente sociopatas. Existe uma classe de pessoas capazes de manipular o processo e reverter para os mesmos comportamentos, uma vez que reconstruíram um mínimo de confiança ou escaparam aos holofotes. Isso não é a maioria das pessoas, mas há definitivamente uma classe de pessoas para quem isso sempre acontece. O processo de determinar a posição de uma pessoa nessa escala é um processo delicado e dinâmico, mas essencial. Todos nós possuímos um certo grau de negação, evasão e vontade de poder coercitiva. É sobre como reagimos à responsabilidade em torno de nossos impulsos obscuros, além das forças motivadoras que os cercam, que distinguem tipos de pessoas que cometeram violência sexual.

Outro processo complexo de descoberta na sequência da violência sexual é determinar até que ponto algo foi um colapso acidental do consentimento resultante de ignorância, intoxicação, falta de comunicação ou algo semelhante. Essas falhas são coisas que acontecem e ainda são ruins e ainda podem, às vezes, constituir agressão sexual, mas são muito diferentes das coisas que acontecem repetidamente (sinalizando um padrão) e com o conhecimento associado (sinalizando intencionalidade). Os processos de prestação de contas anarquistas têm o péssimo hábito de confundir esses dois, mas faz sentido, porque existem atores na última categoria que tentam se esconder atrás da primeira. Embora seja impossível tornar verdadeiramente visíveis os motivos exatos de alguém,

Política de identidade e justiça transformadora.

A justiça restaurativa da comunidade de justiça criminal em geral e a pesquisa que sai dela geralmente não reconhecem o papel da violência estrutural na criação de criminosos. Os liberais são frequentemente permissivos demais como resultado de condições estruturais. Da mesma forma, o principal movimento de justiça criminal da JR, associado ao status-quo mais amplo, tem um incentivo estratégico para não pensar profundamente sobre coisas como racismo estrutural, trauma e nosso tratamento da neurodiversidade em relação à prisão industrial complexa. Embora não devamos dar passes gratuitos baseados em identidade, ao lidar com situações, ainda devemos reconhecer que existem fatores estruturais significativos de violência associados à política de identidade, bem como ciclos de trauma e abuso em jogo. Dito isto…

As questões que envolvem a política de identidade são ainda mais complicadas pelo fato de que, em comunidades radicais, tentamos contrabalançar as violações estruturais do racismo e similares, criando, de maneira limitada, casulos de relativa segurança e direitos para as pessoas marginalizadas. No entanto, isso representa uma oportunidade única para os abusadores em série criarem e manterem uma camada protetora de capital socialpara evitar críticas e evitar a responsabilização. No caso de agressão sexual, as pessoas podem usar seu capital social relativo para coagir outras pessoas a atos sexuais e depois silenciar quaisquer reivindicações subsequentes de agressão. Obviamente, os oportunistas que abusam dessa dinâmica em nossas comunidades são minorias dentro de minorias, mas, particularmente dentro de redes radicais, é uma questão que surge com certa regularidade e, como tal, precisa ser reconhecida de frente. A marginalização nunca é uma desculpa para abusar de outras pessoas. É claro que não é preciso dizer que, com mais frequência, a violência sexual acontece em eixos compreendidos de poder e dominação através dos veículos da misoginia, racismo, queer e transfobia, etc. ainda precisamos reconhecer a violência, mesmo quando ela obscurece sua presença.

Sobre Violência e Prevenção de Danos.

As questões de como evitar mais danos enchem conversas volumosas muito além do escopo deste ensaio. No entanto, deve ficar claro que a prevenção de danos futuros é o objetivo corolário do restaurador, alterando os processos da JR e JT. Os anarquistas há muito lutam com isso. Por exemplo, um abusador em série impenitente deve ser expulso ou pior, ou isso apenas recria o ciclo de violência? Quanto de dissuasão são justiça punitiva e vingança, na verdade? Como e em que momento determinamos a sinceridade de alguém ao se envolver com a prestação de contas? O que fazemos quando sabemos que ostracizar e dissociar-se de uma pessoa emocionalmente manipuladora lhes fornece alimento para suas narrativas paranóicas de auto-vitimização? Quando recorremos a punições internas, quanta punição é suficiente? Todos nós já vimos casos em que um agressor violento em série se descontrolou por um motivo ou outro e nunca foi forçado a mudar de maneira substantiva; no entanto, todos também vimos incidentes em que uma quebra (ainda ruim) do consentimento se transformou implosão completa de redes onde o indivíduo considerado culpado foi punido com um grau de violência que reconhecemos do estado e de nossos inimigos. As linhas são sutis e pegajosas. Nós estragamos tudo a cada momento, mas os ideais, segundo um artigo do Zine Dysophia o caminho restaurativos para abusos sexuais seria:

* Segurança, cura e agência para sobreviventes.

* Responsabilização e transformação para pessoas que causam danos.

* Ação comunitária, cura e responsabilidade.

*Transformação das condições sociais que perpetuam violência – sistemas de opressão e exploração, dominação e violência.

Nada rasga as pessoas como violência sexual. As feridas que deixa são duradouras e perturbadoras, especialmente para o sobrevivente, mas também para a comunidade. À medida que lutamos contra a neblina de tentar criar comunidades mais saudáveis ​​que evitem que tais atrocidades ocorram em primeiro lugar, nossa abordagem para lidar com ela quando isso acontece é fundamental. Devemos permanecer responsáveis ​​uns com os outros e com nossos maiores esforços em prol do consentimento, mesmo em nossos momentos mais íntimos. Como anarquistas, devemos equilibrar nosso idealismo com a crueldade perigosa que nossas redes frequentemente enfrentam. Ao proteger um ao outro e estarmos dispostos a navegar com responsabilidade autêntica, de olho na restauração e na prevenção, estamos lançando as bases para uma sociedade de consentimento.

 

 

A guerra climática está aqui.

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Autor: Pip Hinman

Data:2020

“O que define ecologia social como social é o reconhecimento do fato frequentemente negligenciado de que quase todos os nossos problemas ecológicos atuais surgem de problemas sociais profundamente arraigados. Por outro lado, nossos problemas ecológicos atuais não podem ser claramente entendidos, muito menos resolvidos, sem resolver resolutamente os problemas da sociedade. ” – Murray Bookchin

O horror dos incêndios devastadores e apocalípticos em NSW e Victoria não apenas atenuou o clima de festa do Ano Novo, mas também provocou raiva pelo óbvio fracasso do governo em responder à emergência climática. A saudação do dedo médio do cantor Tex Perkins  ao primeiro-ministro Scott Morrison, durante o show da véspera de Ano Novo em Sydney, resumiu o clima do público.

Mas a classe dominante está determinada a combater a guerra climática em nome das empresas de combustíveis fósseis.

A mensagem do ano novo de Scott Morrison de que a Austrália é o “país mais incrível da Terra” refere-se ao derramamento de boa vontade dos vizinhos em exibição durante toda a emergência de incêndio. É sua tentativa desesperada de apaziguamento. Mas, se ele acha que isso funcionará como cobertura da inação climática de seu governo, ele deve pensar novamente.

É verdade que, se não fosse pelos  esforços heróicos de bombeiros voluntários , pessoal de emergência e outros valentes esforços comunitários, mais pessoas teriam perdido suas vidas e mais casas seriam destruídas em NSW e Victoria.

Mas que tipo de sistema depende de voluntários para realizar trabalhos perigosos na linha de frente em uma situação de crise? Que tipo de sistema falha de maneira espetacular em mobilizar os recursos urgentemente necessários para responder rapidamente ao que é claramente um estado de emergência sem precedentes?

Um sistema em crise é a resposta.

Conhecemos os perigos da emergência climática há décadas. Os chefes dos bombeiros alertam há meses , se não anos, que há mais em jogo em um mundo em aquecimento do que apenas um verão mais quente.

E, no entanto, o planejamento para esta “temporada de incêndios” foi um desastre; voluntários salvaram o dia; apenas recentemente o exército foi convocado para ajudar. Mas, depois de anos de cortes no orçamento, não há pessoas e equipamentos suficientes. As comunidades foram forçadas a arrecadar fundos para um serviço que nunca concordaram em cortar.

Até o momento, nesta “temporada de incêndios florestais” na Austrália,  18 pessoas , incluindo bombeiros, morreram e mais de 1200 casas foram destruídas. No entanto, mais de 16.000 foram salvos. Em Victoria, até  4000 pessoas tiveram que encontrar abrigo na praia , enquanto o fogo corria em sua direção.

Os infernos criaram microclimas que iniciaram mais incêndios. O custo devastador para a vida selvagem, incluindo muitas espécies ameaçadas, nem começou a ser contabilizado.

Os governos estaduais e federais têm recursos significativos que eles não conseguiram mobilizar, ou tiveram até tarde demais. O setor corporativo possui recursos adicionais que também poderiam ter sido socializados para lidar com a emergência de incêndio.

Curvando-se aos interesses corporativos, o governo da cidade de Sydney e NSW decidiu que o show de fogos de artifício da véspera de Ano Novo “deve continuar”, perdendo, assim, uma valiosa oportunidade de apoiar a nova discussão nacional sobre o que deve ser a ação real sobre as mudanças climáticas gostar.

A falha do sistema em responder está gerando muita discussão. Mais e mais pessoas estão chegando à conclusão de que qualquer sistema que priorize os lucros sobre as pessoas e o meio ambiente será incapaz de responder adequadamente.

Mas vozes poderosas em defesa do status quo – incluindo a necessidade de bombeiros voluntários e a emergência de incêndio terminará com um pouco de chuva – estão sendo mobilizadas para atenuar isso.

Para sustentar o colapso da confiança do público no sistema em falha, todos os tipos de desculpas falsas serão oferecidas para descarrilar o que é realmente necessário: cúpulas de emergência em todo o país para discutir soluções reais.

Uma discussão nacional sobre por que o Estado falhou em proteger as comunidades dos incêndios causados ​​pelas mudanças climáticas é importante porque abre espaço para uma discussão mais profunda sobre  o que seria necessário  para lidar seriamente com a emergência climática.

O movimento de emergência climática cresceu rapidamente ao longo do ano passado, e podemos ter certeza de que continuará a crescer à medida que a “estação” de incêndios continuar aumentando.

Aqueles que já fazem parte desse movimento precisam estar abertos a novas iniciativas e trabalhar para unir as partes díspares em momentos críticos em torno de soluções concretas – como a chamada para pagar os bombeiros rurais, por um forte impulso no orçamento de emergência para incêndios florestais e pelo descarbonização rápida de nossa energia.

O movimento organizado de emergência climática ainda é muito fraco. Ele precisa se expandir rapidamente, mas, para isso, precisa de novos organizadores – jovens e idosos – que ajudarão a reunir as pessoas para agir.

Precisamos trabalhar em uma resposta de emergência que se baseia no espírito prático e generoso que está em exibição há semanas durante esses incêndios catastróficos.

Estamos vivendo uma época de guerra climática. É o resultado de um sistema corporativo tóxico de lucros em primeiro lugar. A única esperança que temos de sobreviver a longo prazo em nosso planeta é parar a pequena elite que nega o clima e restaurar o controle social coletivo sobre os recursos da sociedade.

Killing Sulaimani – Como o açougueiro do povo se tornou um herói anti-imperialista.

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Autor: Hawzhin Azeez

Data: 2020

Vivemos em um mundo onde muitas vezes esquecemos que múltiplas verdades podem coexistir ao mesmo tempo. Em uma era de conglomerados da mídia que regurgitam os mesmos slogans e manchetes pró-guerra, e um tempo em que as falhas da esquerda são fortes e vastas, a verdade é muitas vezes reduzida a uma dualidade simplista e maniqueísta de preto / branco, Perspectiva EUA / Irã. Os antiimperialistas que há muito apóiam a brutalidade do regime de Assad em nome da práxis ideológica de esquerda estão defendendo com raiva outro regime brutal e violento – o Irã – sem nenhuma consideração por fatos e realidades históricas; sem qualquer consideração pela realidade da vida de milhões de iranianos aterrorizados, violados e oprimidos no silêncio; sem considerar a realidade cotidiana dos oprimidos sob uma ditadura brutal que é apenas a segunda da China na execução de dissidentes, artistas, feministas e ativistas de direitos humanos. No entanto, os imperialistas anti-EUA transformaram Sulaimani em uma figura heróica e estóica, repleta de carisma e uma autoconfiança – um herói que lutou bravamente contra o ISIS e salvou o povo iraniano – em contraste direto com a vívida incoerência e imprudência de Trump. Desde quando antiimperialismo significava ser apoiadores ávidos de ditadores maus, em vez de oprimidos e colonizados?

Aqui estão algumas verdades básicas sobre a atual situação EUA-Irã:

1) Sulaimani era um açougueiro e um instrumento de violência por procuração iraniana aterrorizando milhões no Irã, Iraque, Síria, Líbano, Iêmen, etc. Um de seus principais papéis era suprir o Hezbollah com um fornecimento constante de mísseis e foguetes, além de implantar silenciosamente 50.000 militares iranianos à Síria em apoio ao brutal regime de Assad. Ele foi fundamental na tragédia em andamento no Iêmen, apesar do apoio direto do Irã aos houthis. Seu papel na prevenção de ISIS de entrar no Irã pode ser amplamente atribuído à divisão xiita-sunita (ISIS é sunita, o Irã é um ávido regime xiita). Seu papel no combate ao ISIS na Síria tinha mais a ver com o apoio ao regime de Assad e com o fim de um grupo sunita rival que tratava diretamente sua própria hegemonia regional; ao invés de Sulaimani se preocupar com a paz e a segurança das pessoas comuns. Ao se engajar nessas medidas estrangeiras, ele foi o líder das notórias forças Quds que aterrorizam, executam, espionam e sequestram a pró-democracia, os direitos das mulheres e as forças de direitos humanos no Irã.

Centenas de milhares de pessoas morreram como resultado do papel de Sulaimani na realização dos objetivos regionais do Irã. Seu envolvimento nesses países teve um impacto direto nas aspirações democráticas dos curdos, sírios, iranianos e outras minorias oprimidas na região.

2) O Irã é um regime muito ruim. O único grupo de iranianos que realmente lamentam a execução de Sulaimani são os iranianos conservadores, aliados aos mulás que governam o regime. Sim, Sulaimani representava o nacionalismo iraniano, mas em um molde muito específico e estreito que se conformava à visão do Irã pelo aiatolá. A maioria dos iranianos, iraquianos e sírios comemora silenciosamente, se não abertamente (embora com cansaço) a morte de Sulaimani. Eles também sabem que matar um chefe de figura simbólica – que já é substituído pelo brigadeiro-general Esmail Ghanni, uma figura ainda mais conservadora e notória do regime iraniano – não encerra uma política implementada e amplamente propagada pelo aiatolá.

3) Os EUA são um regime muito ruim, com uma memória infelizmente curta e incapacidade de utilizar as lições aprendidas de casos passados, iniciando guerras convencionais por meio de intervenções diretas, invasões ou políticas imprudentes, como o assassinato do segundo açougueiro mais brutal dentro da notória segurança iraniana.

Reconhece-se que o Irã é muito mais medido e contido em sua resposta, não porque mostra um nível de respeito muito maior pelos terrores da guerra e respeita a vida de seus próprios cidadãos; mas, em vez disso, usar seu poder brando por meio econômico, político ou militar significa que ele implementa cuidadosamente suas políticas. É medido. É cuidadoso usar seus procuradores para implementar clandestinamente e secretamente suas vastas aspirações e agendas regionais. Sua única lealdade é manter sua única continuidade, ao mesmo tempo em que consolida seus objetivos de estabelecer divisões xiitas-sunitas. Há uma unidade, uma coerência com a política externa iraniana e sua implementação de poder brando – especialmente em relação à recente incoerência na política externa dos EUA sob Trump. É por isso que um relatório recente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos indicou queO Irã é o maior influenciador da região. É por isso que o Irã ainda não respondeu da mesma maneira imprudente que Trump tem na execução de Sulaimani.

Finalmente, os cidadãos comuns do Oriente Médio, especialmente o Irã e o Iraque, não querem uma guerra com os EUA. Eles querem a remoção do regime do aiatolá que continua a aterrorizá-los e a influenciar suas realidades diárias com sua própria segurança e interesses nacionais, mas não da mesma maneira que Saddam foi removido em 2003. Essa foi uma invasão que resultou no fracasso do Iraque como estado, a ascensão do ISIS e o nível incompreensível de violência que ocorreu como resultado, o genocídio Yazidi, a ascensão das forças de Hshed al-Shahbi apoiadas pelo Irã e muito mais. Nenhuma pessoa sã quer guerra. Nenhuma pessoa que ama democracia quer guerra com o Irã. Da mesma forma, as sanções apenas impõem mais pressão sobre o povo do Irã, que já sofre, que está passando por uma crise econômica. A mudança de regime deve ocorrer internamente, organicamente e como resultado das vozes e ações do povo do Irã. Qualquer outra coisa cheira a intervencionismo e imperialismo – e nunca será vista como legítima.

Aqui estão algumas verdades básicas finais: você pode se animar com o fim de Sulaimani e ainda ser anti-guerra. Você pode condenar a maneira como Sulaimani foi executado, mas ainda assim fica aliviado por ele não estar mais por perto para aterrorizar as pessoas. Você pode ser anti-EUA e ditadura e brutalidade anti-iranianas. Trump é um megalomaníaco perigoso. Os aiatolás também são culpados, pingando o sangue de milhões em toda a região, financiando grupos terroristas e guerras por procuração. Que Sulaimani morra como açougueiro, com um fim ilegal apropriado – o mesmo que ele distribuiu a milhares -, sem transformá-lo em um herói anti-imperialista do povo – e, por extensão, justificando o regime iraniano. A única lealdade que você deve ter deve ser para as pessoas comuns do Irã, Iraque e região. É 2020 e já é hora de começarmos a ver esses problemas em todas as suas complexidades.

Uma jornada por uma terra de extrema pobreza: bem-vindo à América.

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Autores: Christopher Ingraham, Jeff Stein, Sara Solovitch, Philip G. Alston, Judith Teichman

 

nos EUA, à medida que o custo da moradia e o número de pessoas sem-teto têm aumentado. As pessoas que vivem em situação de rua agrupam tendas por segurança e comunidade, criando acampamentos. Alguns são grupos autônomos organizados que operam como uma cidade pequena, como a Dignity Village, em Portland, Oregon.

É difícil contar com precisão o número de cidades e pessoas que moram nelas. Enquanto muitos acampamentos são visíveis e conhecidos em suas comunidades, outros são propositalmente ocultos da opinião pública devido ao medo de despejo. Em algumas cidades como Seattle, Washington, acampamentos de tendas são sancionados pelo governo local. Organizações sem fins lucrativos as gerenciam e prestam serviços às pessoas que moram lá. No entanto, muitos governos municipais não apóiam acampamentos em propriedades públicas. Em vez disso, realizam varreduras e ataques que forçam as pessoas a se mudarem para outro lugar. Muitas vezes, as pessoas devem deixar para trás objetos preciosos ou serem presos.

Esforços recentes tentaram documentar e contar cidades de tendas nos EUA. No entanto, pelos motivos listados acima, sabemos que eles são subconta.

Acampamentos de tendas em ascensão

Embora acampamentos existam há décadas, as histórias da mídia têm relatado um aumento nas cidades-tendas desde o início da Grande Recessão. Em 2017, o Centro Nacional de Direito sobre os Sem-Abrigo e a Pobreza documentou um aumento de 1.342% no número de acampamentos sem-teto exclusivos relatados na mídia. Em 2007, havia 19 acampamentos relatados, enquanto em meados de 2017 havia 255 acampamentos na mídia.

Dos acampamentos que o National Law Center documentou, a Califórnia teve o maior número. No entanto, todos os estados e o Distrito de Columbia relataram acampamentos. Em termos de tamanho, muitos acampamentos tinham de 11 a 50 habitantes e 17% tinham mais de 100 pessoas vivendo neles. O documento também descobriu que muitos campos existem há mais de um ano e mais de 25% existem há mais de cinco anos. Daqueles em que a legalidade foi relatada, 75% eram ilegais, 20% sancionados silenciosamente e 4% legais.

Philip Alston, relator especial da ONU sobre pobreza extrema, pediu às autoridades americanas que forneçam sólida proteção social e resolvam os problemas subjacentes, em vez de “punir e aprisionar os pobres”.

Enquanto os benefícios de assistência social e o acesso ao seguro de saúde estão sendo cortados, a reforma tributária do presidente Donald Trump concedeu “ganhos inesperados” às grandes e grandes empresas, aumentando ainda mais a desigualdade, disse ele em um relatório.

As políticas dos EUA desde a guerra do presidente Lyndon Johnson contra a pobreza nos anos 60 foram “negligenciadas na melhor das hipóteses”, disse ele.

“Mas as políticas adotadas ao longo do ano passado parecem deliberadamente projetadas para remover as proteções básicas dos mais pobres, punir aqueles que não estão empregados e transformar os cuidados básicos de saúde em um privilégio a ser conquistado, em vez de um direito à cidadania”, disse Alston.

Quase 41 milhões de pessoas vivem na pobreza, 18,5 milhões delas em extrema pobreza e as crianças são responsáveis ​​por um em cada três pobres, disse ele. Os EUA têm a maior taxa de pobreza juvenil entre os países industrializados, disse ele.

“Seus cidadãos vivem vidas mais curtas e mais doentes, em comparação com aqueles que vivem em todas as outras democracias ricas, as doenças tropicais erradicáveis ​​são cada vez mais prevalentes e têm a maior taxa de encarceramento do mundo … e os mais altos níveis de obesidade no mundo desenvolvido”, disse Alston.

Americanos pobres tem muito menos chances de sobreviver aos 70 anos.

Os americanos mais pobres têm muito menos probabilidade de sobreviver aos 70 e 80 anos do que os americanos ricos, uma forte divisão de expectativa de vida composta pelas crescentes disparidades de riqueza do país, de acordo com um relatório federal.
Mais de três quartos dos 50 e poucos mais ricos de 1991 ainda estavam vivos em 2014, segundo o relatório. Mas entre os 20% mais pobres dessa coorte, a taxa de sobrevivência foi inferior a 50%, de acordo com a análise do Government Accountability Office , uma agência de pesquisa não-partidária do Congresso.

O relatório constata que, embora a expectativa média de vida tenha aumentado durante esse período, “ela não aumentou uniformemente em todos os grupos de renda, e as pessoas com renda mais baixa tendem a ter vidas mais curtas do que aquelas com renda mais alta”.

Em 2016, por exemplo, 89% do quintil mais pobre de famílias mais velhas (definidas como aquelas chefiadas por alguém com 55 anos ou mais) tinham zero poupança para se aposentar. Apenas 14% do quintil mais rico de famílias mais velhas estavam em uma situação semelhante, com mais de 50% desse grupo possuindo uma economia de aposentadoria de US $ 500.000 ou mais.

Os 20% mais pobres das famílias mais velhas também eram muito menos propensos a possuir uma casa, veículo ou outro ativo em comparação com as famílias mais ricas, o que significa que muitos deles dependem exclusivamente do Seguro Social para se sustentar na aposentadoria. Em 2010 e 2013, a família mais velha média nos 20% inferiores da distribuição de riqueza tinha um patrimônio líquido negativo, o que significa que suas dívidas superaram seus ativos no final de seus primeiros anos de ganhos.

O relatório também confirma outros estudos que acompanham o aumento da desigualdade entre os americanos mais ricos, já que o 1% superior continua se afastando dos 20% mais ricos. O 1% superior aumentou sua riqueza média de US $ 15 milhões em 1989 para US $ 37 milhões em 2016. A renda média dos 20% restantes aumentou de US $ 1,6 milhão para US $ 3 milhões, um aumento significativamente menor.
Os dados analisados ​​no relatório são extraídos principalmente de duas pesquisas federais de longa duração: a Pesquisa de Finanças do Consumidor, administrada pelo Federal Reserve , e o Health and Retirement Study , uma pesquisa longitudinal de famílias chefiadas por americanos mais velhos. Pesquisadores acadêmicos há muito acompanham a relação entre riqueza e saúde, mas a análise de dois conjuntos de dados altamente conceituados por um braço de pesquisa independente do governo federal equivale a uma visão definitiva do assunto.

18 milhões de americanos na extrema pobreza.

Os números da ONU vêm da definição oficial do Censo, mantida por décadas pelo governo dos EUA, definindo a pobreza extrema como tendo uma renda menor que a metade da taxa de pobreza oficial, disse Alston em entrevista. (Para 2016, eram cerca de US $ 12.000 por ano para uma família de quatro pessoas.) Por esse critério, a taxa de pobreza nos Estados Unidos diminuiu ligeiramente desde a metade da década de 1960.

Citando uma pesquisa recente com famílias americanas, a Heritage encontrou apenas 0,08% das famílias americanas (ou cerca de 250.000) em “profunda pobreza”, definida pela Heritage como vivendo com menos de US $ 4 por dia. Essa estatística é responsável por programas de gastos sociais do governo que ajudam os pobres – como Medicaid, vale-refeição e assistência habitacional -, enquanto o número citado pela ONU não.

O número do Heritage citado pelos EUA não reflete que muitas famílias devem se endividar para sustentar os gastos, e que benefícios do governo, como Medicaid e vale-refeição, não podem ser usados ​​para cobrir algumas despesas inesperadas. Outra crítica aos dados da Heritage é que ela se baseia em uma pesquisa com consumidores que parece produzir resultados diferentes dos outros dados sobre pobreza, segundo especialistas em pobreza.

“É uma piada total”, disse Rank, professor da Universidade de Washington. “Dizer que existem 250.000 pessoas em profunda pobreza nos EUA é simplesmente ridículo”.
Outras estimativas chegaram abaixo do relatório oficial do Censo dos EUA, mas ainda significativamente mais altas que as estimativas da equipe de Trump.
Em resposta às preocupações com a taxa oficial de pobreza, o Censo de 2009 criou uma taxa de pobreza “suplementar” que explica os benefícios do governo, como vale-refeição. Esse número mostra que cerca de 15,7 milhões de americanos estão em “pobreza profunda” em 2016, de acordo com Gregory Acs, especialista em pobreza do Urban Institute, um think tank apartidário.

Philip G. Alston, relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos da ONU, publicou um relatório dizendo que 40 milhões de americanos vivem na pobreza e 18,5 milhões de americanos vivem na pobreza extrema.

O açambarcamento é um distúrbio grave que evoluí na sociedade capitalista.

Estudos mostram que a acumulação compulsiva afeta até 6% da população, ou 19 milhões de americanos, e foi encontrado em famílias. A taxa é duas vezes a do transtorno obsessivo-compulsivo, a condição sob a qual a acumulação foi listada até 2013 no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a Bíblia da American Psychiatric Association. A versão mais recente do DSM agora a categoriza como uma doença mental separada.

Os estudos de imagem cerebral de acumuladores revelaram atividade anormalmente baixa no córtex cingulado anterior, que governa o pensamento e a emoção. Quando essas pessoas são mostradas acionam imagens – como imagens de objetos sendo triturados e descartados -, a área do cérebro acende e fica hiperativa.

Embora o estoque de coisas esteja frequentemente relacionado à cultura americana de consumo em massa, a acumulação não é novidade. Mas é apenas nos últimos anos que o assunto recebeu a atenção de pesquisadores, assistentes sociais, psicólogos, bombeiros e funcionários da saúde pública.

Eles chamam isso de uma questão emergente que certamente crescerá com o envelhecimento da população. Isso ocorre porque, embora os primeiros sinais geralmente surjam na adolescência, eles geralmente pioram com a idade, geralmente após um divórcio, a morte de um cônjuge ou outra crise.

A acumulação compulsiva está associada em vários estudos a sérios riscos à saúde, como quedas domésticas, obesidade, problemas respiratórios (causados ​​por ácaros da poeira e miséria) e baixa adesão à medicação.

Um estudo de 2012 em Nova York descobriu que 22% das pessoas ameaçadas de despejo e buscando intervenção tiveram um problema de acumulação, e a condição foi associada à falta de moradia.

Pobreza extrema nos EUA.

Um estudo recente conduzido por sociólogos de Harvard e da Universidade de Michigan determinou que a pobreza extrema nos Estados Unidos ainda existe. Quase 1,65 milhão de famílias nos Estados Unidos sobrevivem com menos de 2 dólares por dia.

Em um país de modernas torres de escritórios, condomínios de luxo, condomínios fechados e elegantes cafés ao ar livre, 41 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza.

Com uma pequena e rica oligarquia dando as ordens, polarizando políticas, populismo de homens fortes, crescente desigualdade, um número substancial e crescente da população que enfrenta extrema pobreza, os Estados Unidos parecem cada vez mais seus vizinhos em desenvolvimento.

Mensagem de Ano Novo dos Militante das Guerrilhas Curdas.

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Autor: Komalên Jinên Kurdistan KJK

Data: 31 de Dezembro 2020

Caros camaradas,

das áreas de luta e resistência, das montanhas livres do Curdistão, enviamos nosso amor e calorosas saudações de solidariedade. Mais do que nunca, estamos determinados a construir o socialismo democrático na forma do confederalismo democrático como uma alternativa à modernidade capitalista. Com esse espírito, lembramos de todos os nossos camaradas internacionalistas como hevala Ronahî (Andrea Wolf), Nûdem (Uta Schneiderbanger), Amara (Ekîn Ceren Dogruak), Rojvan Kobanî (Emir Kubadi), Bagok Serhed (Ashley Johnston), Kemal (Erik Konstandinos Scurfield) , Avaşîn Têkoşîn Güneş (Ivana Hoffman), Aryel Botan (Mihemed Hisên Kerîm), Gelhat Rûmet (Keith Broomfield), Karker Kobanê (Rifat Horoz), Bagok Serhed (Reece Harding), Dilsoz Bahar (Kevin Jochim), Gabar Rojava (John Robert Gallagher), Rustem Cudî (Günter Hellstern), Kendal Qaraman (Mario Nunes), Gabar Amed (Jamie Bright), Agîr Şervan (Levi Jonathan Shirley), Givara Rojava (Carl Evans), Toprak Çerkez, Rodîkdar (Martin Gruben), Firaz Kardo (Badin Abdulhamid Mohammed Al-Imam), Cîwan Firat (Jordan MacTaggert), Amed Kobanê (William Savage), Rojbîn Agirî (Michael Israel), Berxwedan Gîvara (Ryan Lock), Kawa Amawa (Paolo Todd), Demhat Goldman (Robert Grodt), Rodî Deysie (Nicholas Alan Warden), Soro Zinar (Luke Rutter), Zafer Qereçox (David Taylor), Orhan Bakırcıyan (Nubar Ozanyan) Şoreş Amanos (Jac Holmes) e Canşêr Zagros ( Oliver Hall), Delîl Emerîka (Jake Klipsch), Baran Galicia (Samuel Prada Leon), Kendal Breizh (Olivier François Jean Le Clainche), Baran Sason (Sjoerd Heeger), Şevger Ara Makhno, Şahîn Huseyni (Haukur Hilmarsson), Hêlîn Qereçox (Anna Campbell) (Alîna Sanchez), Şiyar Gabar (Jakob Riemer), Şahîn Qereçox (Farid Medjahed), Giovanni Francesco Asperti (Hîwa Bosco), Bager Nûjiyan / Xelîl Viyan (Michael Panser), Têkoşer Piling (Lorenzo Orsetti), Sara Dorşmann (Sarah) Andok Cotkar (Konstantin)e muitos outros que decidiram desistir de suas vidas individuais por um futuro coletivo. Os mártires são imortais porque estão vivendo em nossa luta e em nossas realizações. Para eles, renovamos nossa promessa de continuar nossa luta comum com determinação até alcançarmos nossos objetivos. Ao mesmo tempo, lembramos os milhares de homens e mulheres em todo o mundo que perderam suas vidas em 2019 nas lutas pela liberdade, paz e democracia.

 

Caros camaradas,

outro ano de luta e resistência está chegando ao fim e outro novo ano nos espera. A Terceira Guerra Mundial, que as potências hegemônicas começaram há 21 anos no Oriente Médio com a conspiração internacional contra nosso líder Abdullah Ocalan, continua desde então e está se espalhando cada vez mais para outras regiões do mundo. A profunda crise estrutural do sistema dominante é evidente em todos os lugares, embora as formas sejam diferentes. Essa crise se assemelha a uma conflagração que não pode mais ser parada. Toda tentativa das potências imperialistas de reorganizar o mundo de acordo com seus interesses aprofunda essa crise e produz novas fontes de conflito. Os problemas e as crises se reforçam em diferentes níveis e se manifestam, entre outras coisas, em guerras, pobreza, deslocamento, mudanças demográficas até genocídios e femicídios, colonialismo, negação de identidades e culturas, aniquilação, violência, militarismo, destruição ecológica e um estado desolado dos sistemas de educação e saúde. A verdadeira face da modernidade capitalista foi desmascarada. Sua responsabilidade por injustiça, exploração, opressão, violência, guerra e destruição não pode mais ser ocultada. A modernidade capitalista, baseada em uma história de 5000 anos de dominação e exploração patriarcal e estatal, é a causa de todos esses problemas em nosso planeta. Estes não são “desastres naturais”. A busca do máximo lucro, ganho e poder por uma pequena minoria leva à exploração máxima de todos os recursos materiais e valores imateriais. Aos olhos dos governantes, tudo é degradado em um objeto de exploração: humanos, animais, natureza, idéias e até sentimentos.

Abertamente diante dos olhos do mundo, são iniciados golpes contra governos que não se enquadram nos interesses imperialistas ou nacionais, como por exemplo na Bolívia, Venezuela e Catalunha . Ou forças externas tentam instrumentalizar a raiva da população rebelde por seus próprios interesses, como pode ser observado no Iraque, Irã ou Líbano. Enquanto isso, regimes fascistas como o regime de Erdogan na Turquia estão sendo cortejados como “parceiros importantes” por organizações e potências internacionais. Com o apoio internacional, essas ditaduras podem travar guerras de ocupação que estão em contradição com o direito internacional, como por exemplo contra Rojava e o norte da Síria. Os genocídios são encomendados a organizações terroristas como o ISIS e o Boko Haram, para que esses estados oficialmente não sujem as mãos. Milhares de vidas são sacrificadas para confiscar e saquear matérias-primas. Os governantes ensurdecem as pessoas com nacionalismo, fundamentalismo religioso , sexismo e positivismo para obscurecer sua ganância ilimitada.Em muitos lugares, grande parte da população é assim transformada em apoiadores e seguidores do sistema de exploração. Não é por acaso que, nesses tempos de crise, uma mudança em direção ao populismo de direita pode ser observada em todos os países, o que leva a mobilizações e regimes abertamente ditatoriais e fascistas. Para poder manter o sistema capitalista patriarcal e dominante que é a causa das crises, o Estado-nação assume cada vez mais sua forma extrema nacionalista-fascista, como já fazia durante as crises do século XX. Todas as conquistas e valores progressivos da humanidade foram suspensos ou são agudamente ameaçados.

A crise sistêmica é mais evidente na escalada da violência sistemática contra as mulheres, no assassinato de mulheres e na opressão das mulheres em todo o mundo. Nunca devemos esquecer que a modernidade capitalista foi construída com base na subjugação das mulheres e na destruição de formas de sociedade centradas nas mulheres e solidárias. Todas as suas formas de opressão são baseadas no modelo de tirania patriarcal. No curso da Terceira Guerra Mundial, a agressão contra nós como mulheres também se intensificou e se tornou cada vez mais mortal. Por um lado, as instituições estatais estão intensificando seus ataques às mulheres e direitos que foram conquistados pelas lutas das mulheres. Por outro lado, o sexismo na sociedade está sendo massivamente despertado. Em particular, religiões monoteístas estão sendo usadas para esse fim. Já durante o tempo de origem, essas religiões definiam o status das mulheres como potencialmente pecadoras e como servas dos homens. Com isso, um segundo intervalo entre os sexos foi realizado na história, que foi definir a opressão das mulheres como seu “destino”. Hoje, também, argumentos religiosos, sexistas e patriarcais estão sendo usados ​​novamente para empurrar as mulheres de volta aos papéis clássicos, quebrar sua integridade e identidade como combatentes da liberdade e privá-las de seus direitos conquistados com muito esforço. Quanto mais repressivo o Estado age contra a população, mais brutais os ataques contra as mulheres se tornam. argumentos sexistas e patriarcais estão sendo usados ​​novamente para empurrar as mulheres de volta aos papéis clássicos, quebrar sua integridade e identidade como combatentes da liberdade e privá-las de seus direitos conquistados com muito esforço. Quanto mais repressivo o Estado age contra a população, mais brutais os ataques contra as mulheres se tornam. argumentos sexistas e patriarcais estão sendo usados ​​novamente para empurrar as mulheres de volta aos papéis clássicos, quebrar sua integridade e identidade como combatentes da liberdade e privá-las de seus direitos conquistados com muito esforço. Quanto mais repressivo o Estado age contra a população, mais brutais os ataques contra as mulheres se tornam.Os assassinatos do político curdo Hevrîn Xelef, da artista chilena Daniela Corrasco ou da jornalista Martinez Burgos, ou o linchamento de mulheres indígenas na Bolívia são casos exemplares de feminicídio por autoridades estaduais apenas nos últimos meses.A violência masculina contra as mulheres é legitimada pelas políticas sistemáticas misóginas dos estados e está aumentando. Segundo relatos da ONU, um total de 87.000 mulheres foram assassinadas em 2017 e, de fato, o número de casos não relatados é muito maior. Onde quer que o sistema capitalista se imponha, a situação das mulheres se deteriora. As mulheres são privadas de seus meios de subsistência, impacto social e autodeterminação. As mulheres são isoladas, submetidas a restrições sociais, privadas de seus direitos e cada vez mais expulsas de todas as áreas da vida. Pois o capitalismo é patriarcal em todos os níveis.

À medida que os ataques contra mulheres, comunidades e pessoas oprimidas aumentam em todos os níveis, mais e mais pessoas em todo o mundo estão dizendo “Ya basta! Êdî bes e! ”E se opondo a esses ataques. Mais e mais pessoas estão se conscientizando de que o sistema dominante, que é a causa das crises, não tem solução a oferecer. Por isso, procuram alternativas coletivas, solidamente unidas e ecológicas que valorizem a vida, os seres humanos e a natureza e dêem sentido à vida. O Confederalismo Democrático e o paradigma de uma sociedade ecológica democrática, baseada na libertação das mulheres, desenvolvida por nossa líder Abdullah Öcalan e que vêm promovendo a luta revolucionária e os processos de construção de alternativas sociais no Curdistão há mais de 15 anos, são uma alternativa . Isso ficou claro especialmente com a participação internacionalista e a ampla solidariedade pela defesa e construção da Revolução de Rojava. Isso é um espinho no lado da classe dominante. Porque eles querem fazer toda a humanidade acreditar que não há alternativa ao seu sistema de opressão e que todos devemos nos submeter aos seus ditames. Mas tomamos nossa própria decisão contra a escolha entre peste e cólera. Insistimos em nossa Terceira Via, que significa criar nossas políticas democráticas, organização da sociedade e autodefesa com nossa própria vontade. Portanto, todas as forças imperialistas regionais e internacionais – apesar de suas diferenças entre si – estão unidas na tentativa de esmagar nossa luta pela liberdade e nosso modelo de autonomia democrática. Isso é um espinho no lado da classe dominante. Porque eles querem fazer toda a humanidade acreditar que não há alternativa ao seu sistema de opressão e que todos devemos nos submeter aos seus ditames. Mas tomamos nossa própria decisão contra a escolha entre peste e cólera. Insistimos em nossa Terceira Via, que significa criar nossas políticas democráticas, organização da sociedade e autodefesa com nossa própria vontade. Portanto, todas as forças imperialistas regionais e internacionais – apesar de suas diferenças entre si – estão unidas na tentativa de esmagar nossa luta pela liberdade e nosso modelo de autonomia democrática. Isso é um espinho no lado da classe dominante. Porque eles querem fazer toda a humanidade acreditar que não há alternativa ao seu sistema de opressão e que todos devemos nos submeter aos seus ditames. Mas tomamos nossa própria decisão contra a escolha entre peste e cólera. Insistimos em nossa Terceira Via, que significa criar nossas políticas democráticas, organização da sociedade e autodefesa com nossa própria vontade. Portanto, todas as forças imperialistas regionais e internacionais – apesar de suas diferenças entre si – estão unidas na tentativa de esmagar nossa luta pela liberdade e nosso modelo de autonomia democrática. Mas tomamos nossa própria decisão contra a escolha entre peste e cólera. Insistimos em nossa Terceira Via, que significa criar nossas políticas democráticas, organização da sociedade e autodefesa com nossa própria vontade. Portanto, todas as forças imperialistas regionais e internacionais – apesar de suas diferenças entre si – estão unidas na tentativa de esmagar nossa luta pela liberdade e nosso modelo de autonomia democrática. Mas tomamos nossa própria decisão contra a escolha entre peste e cólera. Insistimos em nossa Terceira Via, que significa criar nossas políticas democráticas, organização da sociedade e autodefesa com nossa própria vontade. Portanto, todas as forças imperialistas regionais e internacionais – apesar de suas diferenças entre si – estão unidas na tentativa de esmagar nossa luta pela liberdade e nosso modelo de autonomia democrática.

Por esse motivo e com essa tarefa, o regime do AKP ainda está no poder e é apoiado por potências internacionais. Em 2019, o governo fascista ilegítimo do AKP intensificou seus ataques contra nossa luta pela libertação mais uma vez. Em 9 de outubro de 2019, exatamente no aniversário da conspiração internacional, iniciou outra invasão em Rojava, no norte e leste da Síria. As áreas ocupadas pelo exército turco e suas tropas mercenárias fascista-jihadistas estão sujeitas à arabização, turquização e islamização. Nessas áreas, é realizada uma política sistemática de mudança demográfica e despovoamento. Em vez da população local nativa, famílias sunitas árabes ou turcomenas da Turquia, outras partes da Síria e outros países estão sendo assentadas aqui, a maioria dos quais são membros ou simpatizantes de grupos jihadistas. Essas mudanças demográficas impostas constituem genocídio cultural. Ao mesmo tempo, violações drásticas dos direitos humanos continuam na região de Afrin, ocupada pela Turquia. O povo de Afrin está sendo atacado pelas forças jihadistas e pelo estado turco.

O estado de emergência imposto aos curdos em Bakûr (norte do Curdistão) e na Turquia também continua. As pessoas nem sequer estão autorizadas a protestar. Qualquer ação pública é proibida. Meras expressões de opinião nas mídias sociais são punidas com longas penas de prisão. As prisões estão novamente superlotadas pelo povo curdo e membros da oposição. Os prefeitos curdos são arbitrariamente removidos de seus escritórios e presos por meio de um golpe de Estado pelo AKP contra os governos locais. No lugar dos prefeitos eleitos, administradores forçados são nomeados. A vontade da população é declarada nula e sem efeito. Isso leva famílias inteiras a cometer suicídio coletivo porque não conseguem mais se alimentar, muito menos se expressar. A população é literalmente privada de ar. A ditadura do AKP teria se tornado história há muito tempo se não tivesse sido continuamente apoiada por potências internacionais, aqueles que querem funcionalizar o AKP para acabar com a luta pela liberdade curda. O AKP perdeu continuamente a aprovação e o apoio. O AKP literalmente saqueou o país. Erdogan usou seu poder para enriquecer a si mesmo, sua família e sua camarilha de poder. A corrupção não pode mais ser escondida, então Erdogan está lutando agora por seu poder e vida. Ele e seu grupo também sabem que seu fim não pode ser parado. É por isso que mais e mais membros de seu partido estão deixando o navio afundando. O que finalmente fez com que este navio afundasse é nossa luta e nossa insistência na liberdade. O AKP perdeu continuamente a aprovação e o apoio. O AKP literalmente saqueou o país. Erdogan usou seu poder para enriquecer a si mesmo, sua família e sua camarilha de poder. A corrupção não pode mais ser escondida, então Erdogan está lutando agora por seu poder e vida. Ele e seu grupo também sabem que seu fim não pode ser parado. É por isso que mais e mais membros de seu partido estão deixando o navio afundando. O que finalmente fez com que este navio afundasse é nossa luta e nossa insistência na liberdade. O AKP perdeu continuamente a aprovação e o apoio. O AKP literalmente saqueou o país. Erdogan usou seu poder para enriquecer a si mesmo, sua família e sua camarilha de poder. A corrupção não pode mais ser escondida, então Erdogan está lutando agora por seu poder e vida. Ele e seu grupo também sabem que seu fim não pode ser parado. É por isso que mais e mais membros de seu partido estão deixando o navio afundando. O que finalmente fez com que este navio afundasse é nossa luta e nossa insistência na liberdade. É por isso que mais e mais membros de seu partido estão deixando o navio afundando. O que finalmente fez com que este navio afundasse é nossa luta e nossa insistência na liberdade. É por isso que mais e mais membros de seu partido estão deixando o navio afundando. O que finalmente fez com que este navio afundasse é nossa luta e nossa insistência na liberdade.

 

Caros amigos,

nós definitivamente estamos passando por tempos difíceis. Mas, assim como toda a história da humanidade não é apenas a história dos governantes, o presente também não é apenas o presente das potências fascistas, patriarcais e coloniais. Como mulheres, povos, classes oprimidas e diferentes grupos sociais, estamos simultaneamente experimentando um novo período de despertar e renascimento. A política da classe dominante encontra resistência maciça em todos os lugares, as pessoas não têm mais medo. Protestos em massa que continuam por meses determinam o caráter dessa resistência. Juntas, barricadas são estabelecidas, alianças são fortalecidas. As ruas tornaram-se lugares de criatividade, politização e resistência. Sob o lema “sextas-feiras para o futuro”, os jovens mobilizam milhões de pessoas em todo o mundo em ações de protesto pela proteção do clima e por enfrentar as corporações. As pessoas saem às ruas para denunciar suas más condições de trabalho ou para protestar contra a guerra e a destruição.

Eles protestam e resistem contra a corrupção e a ditadura, contra o patriarcado e a poluição ambiental, contra o racismo e o fascismo. O que caracteriza esses protestos é que muitas pessoas perderam sua confiança no estado e seu medo do poder do estado. Centenas de pessoas perderam a vida nos últimos meses em protestos em massa em diferentes países do mundo, como Iraque, Irã, Chile ou Bolívia. As pessoas se recusam a permitir que a política seja feita sobre suas cabeças em seu nome. Eles querem se envolver, dar a sua opinião, participar da modelagem.

O garante de uma vida sustentável, melhor, justa e autodeterminada para todas as pessoas, no entanto, é a luta de libertação das mulheres. Não é por acaso que nosso líder Öcalan declarou o século XXI o século da libertação das mulheres. O século anterior foi caracterizado por lutas de classes e lutas de libertação nacional. Nenhuma das abordagens conseguiu desenvolver a alternativa propagada ao sistema, porque a mentalidade patriarcal e as estruturas de poder não foram suficientemente questionadas e superadas. Mulheres livres são a principal dinâmica da vida e da sociedade humana. Uma sociedade na qual as mulheres não podem participar com seu livre arbítrio na vida e em todas as áreas da sociedade, é uma sociedade que não pode criar sua política, vida comunitária e economia determinadas por si mesma. Portanto, está exposto a todos os tipos de opressão e controle estrangeiro.

Com nossos esforços para defender e reativar uma cultura social ético-política, nós, como mulheres, estamos experimentando um despertar esperançoso. Começamos a nos mover novamente. E quanto mais nos movemos, mais sentimos nossas correntes e isso, por sua vez, aumenta nossa vontade de romper as correntes e de nos libertar. Depois de mais de meio século, as mulheres ao redor do mundo estão mais uma vez tomando as ruas como massas. Em todos os protestos, as mulheres são uma força motriz na vanguarda. “O lugar de uma mulher é a revolução” é um slogan que caracterizou as lutas das mulheres em 2019. A modernidade capitalista só pode ser efetivamente recuada e combatida com organizações de mulheres livres e independentes e uma luta de mulheres radical e determinada.

 

Caros camaradas,

Atualmente, estamos testemunhando que o liberalismo, a principal ideologia do capitalismo, está começando a desmoronar. A indiferença paralisante profundamente arraigada, o egoísmo e a atitude apolítica da sociedade estão se separando cada vez mais. A necessidade de coletividade, solidariedade e organização está se tornando cada vez mais importante para as pessoas. A mentira capitalista do “fim da história” é exposta pela resistência do povo e a verdade é o fim da modernidade capitalista que está sendo trazida nos dias de hoje. Está se tornando cada vez mais claro que não apenas temos o mesmo inimigo e oponente, mas também estamos lutando a mesma luta com os mesmos objetivos. Nossas lutas por nossos sonhos, esperanças e visões de liberdade, autodeterminação, igualdade e democracia, como mulheres, como povos, classes oprimidas, grupos e indivíduos são as mesmas. Só podemos ter sucesso se fizermos rede, conectar e nos organizar globalmente. A solidariedade mundial com a luta de libertação no Curdistão, expressa no slogan “Somos suas montanhas!”, E a divulgação da campanha, ações e etapas de organização no âmbito da campanha internacional “Mulheres defendem Rojava” são muito valiosas. e poderoso.

Agora é hora de acompanhar isso e encher o internacionalismo de novo espírito e novas ações. O internacionalismo do século XXI deve ser capaz de pensar, sentir e agir localmente e universalmente. O Confederalismo Democrático torna possível combater lutas local ou regionalmente, mas relacionar, coordenar e obter vitórias globalmente. Devemos ter sucesso em desenvolver e viver nossas formas de vida e sociedade alternativas, libertárias e comunitárias em toda parte, com base na democracia, ecologia e libertação das mulheres. Para isso, precisamos de mentalidades, organização, relacionamentos e estruturas de solidariedade livres de poder, competição e pensamento possessivo. 2019 foi um ano de resistência e um ano com potencial revolucionário. Todos os sinais indicam que o novo ano será ainda mais emocionante, militante e revolucionário. Nós, como movimento, nos preparamos e nos armamos para os novos desafios. A luta comum dos povos em todo o mundo determinará o resultado dessa batalha dos sistemas: modernidade democrática ou destruição capitalista, socialismo democrático ou barbárie, libertação das mulheres ou femicídios … Devemos estar preparados para um aumento de ataques, fascismo e guerras. A modernidade capitalista, cada vez mais limitada, tentará prolongar sua existência por todos os meios, seja através de violência ou restauração. Ele usará métodos rígidos e “flexíveis”. Ele tentará dividir as pessoas, travar lutas entre si, aprofundar a degeneração e a falta de sentido da vida e dos valores. Portanto, devemos estar muito alertas, atentos e focados em nossa luta e organização. Quanto mais vincularmos e espalharmos nossas lutas no novo ano, quanto mais conseguirmos contra-atacar com sucesso os ataques do sistema e deixá-los chegar a nada. Nenhuma luta deve permanecer desorganizada e sem solidariedade.

Em 2020, devemos tornar nossas ações ainda mais eficazes e eficientes e expandir as áreas de nossas lutas. Também devemos estar cientes de que só podemos derrotar com sucesso a modernidade capitalista se superarmos todas as suas características também em nossas próprias personalidades. Devemos começar a romper com o sistema em nós mesmos, em nossa própria personalidade, para podermos combater o sistema com sucesso. Devemos nos tornar imunes ao capitalismo e suas ofertas. Se não reconciliarmos nossa luta política com nossa personalidade, com nosso pensamento, sentimento e ação, iremos – sem querer – agir a seu favor. Portanto, o foco de nossa luta no próximo ano deve ser uma ofensiva ideológica contra o capitalismo em nossas personalidades. Isso significa questionar, lutar e superar atitudes patriarcais, nacionalistas, positivistas e liberais, modos de vida e características. Não podemos lutar com credibilidade pela liberdade se vivermos em relações de poder e reproduzirmos hierarquias.

Revolução não é algo que possamos alcançar no final de nossa luta. Uma revolução significa fazer mudanças fundamentais, libertadoras e fortalecedoras a cada segundo, em todo momento da vida, na própria personalidade, na própria organização, nos próprios coletivos e na sociedade. Vemos como o medo está se espalhando entre os governantes, à medida que a resistência se torna cada vez mais contagiosa entre os oprimidos. Os governantes têm medo de homens e mulheres organizados, de pessoas que querem viver autodeterminadas, livres e coletivamente. A centelha da liberdade e a chama da resistência estão se espalhando por todo o mundo. Não devemos hesitar e não sermos apanhados em pequenos cálculos. Temos uma responsabilidade histórica. Isso se aplica não apenas ao que fazemos, mas também ao que deveríamos ter feito, mas não fizemos.

 

Com grande determinação, motivação e entusiasmo por ações, desejamos a todos um Ano Novo bem-sucedido, militante e poderoso.

 

Jin Jiyan Azadî!

Bijî Serok Apo!

Viva a solidariedade internacional!

Komalên Jinên Kurdistan KJK

31 de dezembro de 2019